OESP, Economia, p. B7
06 de Ago de 2010
Camargo e Odebrecht perto de acordo em Belo Monte
Construtoras negociam participação no consórcio vencedor; formação do grupo será divulgada nas próximas duas semanas, após assinatura do contrato
Renée Pereira
As construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht, que desistiram de participar do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, em abril, estão bem próximas de fechar participação no consórcio construtor da usina, a exemplo da Andrade Gutierrez. Segundo fontes ligadas ao processo, a formação do grupo será divulgada nas próximas duas semanas, já que a assinatura do contrato de concessão está previsto para o dia 26.
Até a data, todos os detalhes da obra terão de estar fechados, como os nomes dos fabricantes e os construtores de Belo Monte. A escolha das empresas que vão levantar a terceira maior hidrelétrica do mundo está nas mãos de Valter Cardeal, diretor da Eletrobrás, e Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte. Os dois têm feito reuniões constantes com as empreiteiras para definir qual parcela caberá a cada empresa.
Além de Camargo e Odebrecht, três outros grupos entregaram propostas para construção da usina: Queiroz Galvão e OAS, Andrade Gutierrez e o grupo original do consórcio Norte Energia, formado por Mendes Júnior, Cetenco, Serveng, Contern e Galvão Engenharia. Essas últimas terão uma fatia da obra, mas bem menor do que gostariam.
Como ajudaram o governo a tornar a disputa viável, depois que Odebrecht e Camargo Corrêa desistiram do jogo, elas imaginavam que teriam preferência na construção da hidrelétrica.
Mas o desenrolar da história tem tomado outros rumos. Quem deverá liderar o consórcio construtor é a Andrade Gutierrez, que perdeu o leilão. É ela que definirá quem vai fazer o quê, afirmou uma fonte que acompanha as negociações. Além disso, Camargo e Odebrecht deverão entrar na obra, apesar de terem ameaçado a realização do leilão.
As construtoras do consórcio original serão apenas coadjuvantes. Desde o leilão, todas as decisões têm sido tomados pelos dirigentes do Grupo Eletrobrás, que detém 49,98% da Sociedade de Propósito Específico (SPE) que terá a concessão da usina. As sócias construtoras só tomam conhecimento das informações em reuniões semanais.
Ao contrário dos últimos encontros, o anúncio do consórcio construtor será feito individualmente a cada empresa, destacou a fonte. Uma forma de desmobilizar o grupo vencedor.
Camargo e Odebrecht eram os grandes favoritos para levar Belo Monte, já que estudaram durante anos o projeto. Mas, com a revisão dos gastos por parte da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as duas construtoras desistiram do empreendimento, alegando ser economicamente inviável. Na época, eles calculavam que a obra custaria R$ 30 bilhões, bem acima dos R$ 19 bilhões calculados pela EPE.
Depois do leilão, porém, as duas empresas voltaram a mostrar interesse pela obra, apesar de o vencedor ter oferecido deságio de 6% no leilão. No mercado, fontes questionam como uma obra que antes não era viável de repente virou rentável. A resposta das empresas é que, como construtor, eles não têm de arcar com o risco do projeto.
Para lembrar
Valor da obra ainda causa divergência
Uma das grandes discussões que anteciparam o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, foi a questão do valor total do investimento da obra. Algumas construtoras, como Camargo Corrêa e Odebrecht, argumentavam que o valor da obra era de R$ 30 bilhões enquanto a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimava R$ 19 bilhões. O fato é que até hoje não se sabe direito quanto vai custar Belo Monte, que terá capacidade instalada de 11.233 MW e será a terceira maior do mundo.
OESP, 06/08/2010, Economia, p. B7
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100806/not_imp591112,0.php
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