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Cai desmatamento na Amazônia

CB, Brasil, p. 13
09 de Fev de 2006

Cai desmatamento na Amazônia
Levantamento realizado pelo Inpe em 2005 mostra queda significativa da derrubada das árvores em Mato Grosso e Pará. Apenas três estados da região registraram aumento

O governo federal anunciou ontem uma redução no desmatamento na Região Norte ao longo de 2005. Relatório final elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que quase 90% da redução obtida na taxa anual de devastação ocorreu nos estados de Mato Grosso e Pará. As reduções foram de 41,6% e 28,8%, respectivamente.
Dos nove estados da Amazônia Legal, apenas três registraram aumento de desmatamento anual: Amapá (78%), Tocantins (57,4%) e Maranhão (29,4%). "Em números absolutos, o desmatamento é pequeno, mas é uma tendência preocupante", disse João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Mato Grosso, Pará e Rondônia continuam a ser os campeões de devastação, apesar das reduções significativas das taxas de 2005 em comparação a 2004. Juntos, desmataram 16 mil quilômetros quadrados. Os três municípios com maior acréscimo de desmatamento foram São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia - todos no Pará.
Segundo João Paulo Capobianco, os resultados são promissores e comprovam a eficácia das ações de fiscalização e controle aplicadas às áreas de maior conflito na floresta. "O panorama é muito animador", disse. "Podemos ver claramente uma relação de causa e efeito entre ações de combate e redução do desmatamento".
O relatório foi discutido internamente ontem em uma reunião convocada pela Casa Civil, com representantes dos 13 ministérios que compõem o Plano Federal de Combate ao Desmatamento na Amazônia. Os números preliminares, divulgados em dezembro, já mostravam uma redução total de 31% na taxa anual de devastação, que caiu de 27.200 mil quilômetros quadrados para 18.900 quilômetros quadrados. O novo relatório traz o detalhamento do desmatamento por estados e municípios - o que é essencial para a formulação de novas políticas de conservação.
Novas frentes de depredação florestal foram identificadas na calha norte do Rio Amazonas (Pará) e no sudeste do Amazonas, ao longo da rodovia Transamazônica (BR-230). "Estamos vendo claramente que o sistema funciona, mas o desmatamento ainda tem a capacidade de se ajustar e reorganizar em outras frentes", disse Capobianco. "Estamos trabalhando para consolidar as reduções já obtidas e inibir a abertura de outras frentes."
Muitos especialistas atribuíram a redução de 30% na taxa anual de desmatamento a um aumento significativo da fiscalização (principalmente em Mato Grosso e no Pará), mas também a fatores macroeconômicos, como a crise da soja e da pecuária - que diminuíram a pressão sobre a floresta para a abertura de novas áreas.
"Não há como dizer claramente qual foi a contribuição de cada coisa, mas não há dúvida de que as ações de repressão e controle do governo tiveram impacto significativo. Onde houve repressão, caiu o desmatamento", ressalta o secretário.
Ele cita o aumento da fiscalização associado ao monitoramento do desmatamento em tempo real via satélite, o combate à grilagem, com mais de 30 mil cadastros de propriedade rural foram suspensos, e a criação de 85 mil quilômetros quadrados de unidades de conservação.

CB, 09/02/2006, Brasil, p. 13

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