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Café totalmente rastreado

OESP, Agrícola, p. G10-G11
15 de Nov de 2006

Café totalmente rastreado
Abic e Caccer querem garantir o grão, da lavoura ao consumidor

Beth Melo

Garantir a rastreabilidade do café, da lavoura à xícara. Esta é a proposta do Programa Cafés Sustentáveis do Brasil, iniciativa conjunta da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic) e do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), que visa a harmonizar o Programa de Qualidade do Café (PQC), da Abic, e o Programa de Certificação do Café do Cerrado, do Caccer.

As normas sobre a certificação serão aprovadas este mês, em Guarapari (ES), durante o 14o Encafé - Encontro Nacional das Indústrias de Café, promovido pela Abic, de 22 a 26. Segundo o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, no evento será definido um regulamento comum, que garanta a oferta de cafés em grãos e de produtos diferenciados, de alta qualidade e valor agregado, para atender ao consumidor.

ACORDOS

A Abic quer assinar acordos de reconhecimento mútuo com associações de produtores que possuem alguma certificação de sustentabilidade, como o Café do Cerrado, com o qual firmou a primeira parceria.

A expectativa de Fernando Gichini Lopez, diretor do Instituto Toton - responsável pelo gerenciamento do PQC e pelo Programa Selo de Pureza, ambos da Abic -, é que entre as mais de 150 marcas certificadas pela Abic várias utilizem produtos de origem comprovada e trabalhe com sustentabilidade. "Se a marca enquadrar-se nesse perfil poderá ter o novo selo", afirma. "Queremos unir os dois elos", observa Lopes, acrescentando que o PQC, da Abic, é voltado para a indústria e o programa Café do Cerrado, para o produtor.

"Só poderá ter o selo o café torrado e moído de boa qualidade, do ponto de vista do consumidor e do industrial, e que prove que 60% do blend utilizado é procedente de fazendas com foco na sustentabilidade", diz Herszkowicz.

INTERESSE

Segundo Lopez, o quesito sustentabilidade começa despertar o interesse do consumidor brasileiro. "Já existe um movimento nesse sentido", ressalta, acrescentando que no exterior isso é uma exigência. Ele cita a iniciativa da rede Ibis de hotéis, que anunciou a intenção de servir somente cafés sustentáveis. "É o chamado fair trade, o que significa comércio justo e prevê o uso controlado de defensivos químicos, cuidados com o meio ambiente, e proíbe a utilização de mão-de-obra infantil, entre outras normas."

Produtores aprovam iniciativa
Há um ano, a Fazenda Dona Idalva, em Romaria, no Triângulo Mineiro, recebeu o selo Café do Cerrado, que estabelece normas de boas práticas agrícolas, responsabilidades social e ambiental, além de rastreabilidade. "O selo comprova que o café tem origem no cerrado e atesta sua qualidade", diz o proprietário Helder Bovi. A Chácara Cláudia, de Monte Carmelo (MG), também tem o selo Café do Cerrado. "O futuro é esse; procuramos nos adequar às exigências", afirma Edson Correia, da parte administrativa da chácara. "Quem não for certificado sairá do mercado."

Bovi acredita que para se adequar ao Programa de Cafés Sustentáveis do Brasil muito pouca coisa precisará ser mudada na fazenda, até porque seu café tem boa pontuação, pelas normas do Café do Cerrado: 70% do café da fazenda fica entre 70 e 80 pontos e 25% acima de 80 pontos. Segundo Bovi, por ter pontuação maior, o selo do Café do Cerrado facilita o cumprimento das exigências de outros programas, como o da Abic, que classifica como especiais os cafés acima de 75 pontos.

Correia, da Chácara Cláudia, considera interessante fazer parte do novo programa. "Cria um forte elo entre o produtor e o consumidor", diz. Para tornar-se apto ao Programa de Cafés Sustentáveis do Brasil, Bovi acredita que basta deixar a fazenda sustentável e trabalhar para manter a qualidade, principalmente na colheita. "O café deve ser colhido no pano. Não pode ter contato com o chão e a secagem deve ser feita naturalmente, em terreiro pavimentado, tendo o cuidado de mexer os grãos de hora em hora", explica. "Já temos esses cuidados e atendemos às normas de sustentabilidade", diz ele, que acredita que falta o entrosamento da produção com as normas industriais de boas práticas de fabricação, para que o café tenha total rastreabilidade.

OESP, 15/11/2006, Agrícola, p. G10-G11

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