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Cacique Raoni recebe alta após ficar na UTI em hospital do MT

CNN Brasil - www.cnnbrasil.com.br
Autor: Yasmin Silvestre, Vitor Bonets
21 de Mai de 2026

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, recebeu alta na manhã desta quinta-feira (21) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), onde estava internado. O líder indígena ficou na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por cinco dias devido a problemas respiratórios.

Segundo o boletim médico, ele está em condição estável e seguiu, de forma assistida por médicos e familiares, de transporte aéreo até sua residência.

"Durante a internação, permaneceu sob monitoramento intensivo e acompanhamento multiprofissional contínuo, com melhora progressiva do quadro respiratório e gastrointestinal, incluindo resolução do desconforto abdominal previamente apresentado. Evoluiu com estabilidade clínica, encontrando-se assintomático, afebril, hemodinamicamente estável e com boa aceitação alimentar no momento da alta", diz a nota enviada pelo hospital à CNN Brasil.

Apesar da alta, Cacique Raoni ainda deve seguir em acompanhamento domiciliar, com monitoramento do quadro respiratório e medicações. A família do líder indígena chegou a passar por uma capacitação para conseguir cuidá-lo nos próximos dias.

"O paciente deverá retornar nos próximos meses para realização de novos exames e acompanhamento clínico especializado", conclui o Hospital.

Histórico de saúde

No dia 7 de maio, o líder indígena precisou ser internado por quadro de hérnia crônica no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, em Mato Grosso. O Instituto Raoni havia informado que a agenda dele estava suspensa.

Dois dias após a internação, no dia 9 de maio, ele chegou a receber alta clínica.

No dia 12 de maio, o cacique apresentou nova indisposição clínica, sendo inicialmente atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Peixoto de Azevedo e, em seguida, encaminhado ao Hospital Regional do município, onde recebeu atendimento médico. A pedido da família, foi transferido para o Hospital Dois Pinheiros na quinta.

Logo após, no dia 14 de maio, Cacique Raoni foi direto para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após registrar problemas respiratórios.

Quem é Cacique Raoni

Ropni Metyktire, líder indígena conhecido como Cacique Raoni, nasceu provavelmente no início da década de 1930, em uma antiga aldeia Mebêngôkre (Kayapó) denominada Kraimopry-yaka, no nordeste do Estado de Mato Grosso, segundo informações do Instituto Raoni.

Durante o período de sua juventude, os Mebêngôkre viviam em aldeias seminômades, sem contato pacífico com a sociedade envolvente. Em 1954, quando o povo Mebêngôkre estabeleceu contato definitivo com os brancos, Cacique Raoni tinha aproximadamente 24 anos e teve um papel fundamental no processo de pacificação de diversas aldeias.

Nesta época, conheceu os irmãos Villas Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa e a tomar consciência do mundo não-indígena. A partir de então, Raoni passou a ser o principal interlocutor entre os Mebêngôkre e a sociedade nacional.

Ao longo de sua trajetória, Cacique Raoni foi protagonista em diversas lutas em favor dos povos indígenas e da Amazônia, passando a ser reconhecido internacionalmente como liderança legítima e porta voz da preservação do meio ambiente.

Em 1978, foi tema de um documentário indicado ao Oscar e em 1987, após seu encontro com Sting, alcançou notoriedade internacional. Nas décadas 80 e 90 teve papel fundamental na demarcação dos territórios Mebêngôkre, um dos maiores blocos contínuos de floresta tropical do mundo e que ainda hoje constitui a maior barreira contra o desmatamento na porção leste da Amazônia, além de participar do processo de demarcação de territórios de diversos outros povos.

Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988.

Na década de 90 e a partir do ano 2000, Cacique Raoni realizou inúmeras viagens pelo mundo e conquistou o apoio de importantes lideranças e personalidades internacionais, que resultaram no levantamento de fundos internacionais para a demarcação de terras indígenas brasileiras, bem como na tomada de consciência do público em geral sobre a necessidade de proteger a floresta amazônica e suas populações nativas.

A partir de 2018, Raoni assumiu mais uma vez a linha de frente na luta pelos direitos dos povos indígenas e pela defesa da Amazônia. Uma nova campanha foi realizada em 2019, na qual Cacique Raoni advertiu o mundo sobre o desmatamento na Amazônia e as ameaças que exploram a floresta, buscando apoio para garantir a condições para a proteção territorial e o fortalecimento sociocultural de seus povos.

Em janeiro de 2020, Raoni convocou um encontro histórico de lideranças de povos da floresta, no qual reiterou a importância de sua união contra os ataques e retrocessos aos direitos e políticas indígenas e ambientais.

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