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Cacique de Rondônia lança autobiografia com ajuda de ex-repórter da Times

Em Rondônia. com - http://www.ariquemesonline.com.br
01 de abr de 2013

Qual é o meio mais fácil para estabelecer contato com um cacique? Se o índio em questão for o líder do povo Paiter-Suruí, não carece cogitar expedições ou mesmo recorrer ao telefone. Envie um e-mail para seu endereço @gmail.com. e o destinatário responde com a mesma agilidade
com que absorve tecnologias ascendentes na preservação de sua tribo.
Em se tratando de Almir Narayamoga Suruí, isso não surpreende. Afinal, foi ele quem motivou manchetes pelo mundo ao convencer a Google, em 2007, a lhe prover ferramentas para mapear a cultura dos povos que vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO). A trajetória de Almir, é claro, vai muito além. Tanto que está prestes a virar livro, em
autobiografia escrita com ajuda do americano Steve Zwick, editor do site
EcosystemMarketplace e ex-repórter da Time. O livro será lançado nos próximos meses (a data ainda não foi escolhida, pois ainda procuram
uma editora), primeiro em inglês. A versão brasileira deve chegar alguns meses depois do lançamento da americana.
Almir e Zwick se conheceram há quatro anos, em Copenhague, na Conferência do Clima da ONU (COP-15). As intervenções do índio despertaram o interesse do americano, pela desenvoltura com que retrucava perguntas duras sobre iniciativas como o projeto de crédito de
carbono que tenta implementar.
- O que mais me impressionou foi sua capacidade de se adaptar às situações. Ele fica à vontade na tribo, trabalhando com o governo de Rondônia ou na esfera internacional - conta o jornalista, que ainda não chegou a um acordo com Almir sobre o título do livro.
A autobiografia está sendo preparada há mais de um ano, em uma série de entrevistas entre Cacoal (RO) e Chicago (EUA), onde mora Zwick. O processo se deu apesar da incomunicabilidade da dupla: Almir não fala inglês, enquanto o jornalista não é versado em português nem tampouco em tupi mondé. O obstáculo foi superado com a ajuda de tradutores
voluntários de ocasião. Apesar de a obra se enquadrar na categoria autobiografia, o cacique insiste que o que será contada é a trajetória do seu povo.
- A luta dos índios é muito pouco compreendida. Somos os maiores defensores do país. Vocês (brancos) precisam ler essa história em algum lugar - afirma Almir.
Mas, quer Almir queira ou não, é ele o Suruí de que todos falam e que recebe prêmios globais como o da Sociedade Internacional de Direitos Humanos (em 2008, em Genebra) por seu
pioneirismo. Mas talvez "independência" seja palavra mais apropriada para descrever suas iniciativas.

Afinal, é isso que busca seu maior projeto, o Plano de Gestão do Território Sete de Setembro, os 247 mil hectares de terra onde vivem os cerca de 1,5 mil Suruís em Rondônia e em Mato Grosso. Lançado em 1999, o programa é ambicioso: planejar uma ocupação sustentável do território por 50 anos. O motor desse sonho é o Carbono Suruí, projeto de crédito de carbono do tipo Redd+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), em que preservadores da floresta
podem captar dinheiro pelo trabalho. A iniciativa é pioneira: trata-se do primeiro programa de
crédito de carbono idealizado por uma comunidade nativa no Brasil a chegar à etapa de certificação

http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=288531&codDep=34

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