Radioagência NP
Autor: Gisele Barbieri
22 de Jun de 2007
Na última semana, o Ministério Público Federal do Pará exigiu da Secretaria Estadual de Segurança Pública medidas mais enérgicas de proteção ao cacique Odair José Borari, coordenador do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) no estado. O cacique sofre ameaças desde 2002 dos madeireiros da região por sua atuação contra a grilagem de terras e a exploração ilegal de madeira da Gleba Nova Olinda, no rio Maró, onde vive seu povo e mais duas comunidades.
No início deste mês, o cacique foi assaltado no município de Santarém (oeste paraense). Segundo seu relato, ele foi levado a uma estrada próxima, espancado e amarrado por quatro homens armados. Os índios desta comunidade ainda esperam da Fundação Nacional do Índio (Funai), pela demarcação destas terras, que eles acreditam que poderá reduzir os conflitos. O cacique afirma que a proteção é necessária, mas com a ausência da titularidade da terra seu povo continuará sofrendo ameaças.
"Se eu sair da área não vai resolver o problema. Por um lado resolve o meu problema, mas o meu povo que está lá dentro vai ficar sofrendo a mesma coisa como estão sofrendo. Eu quero que a secretaria de direitos humanos, cobre da Funai a criação de um grupo de trabalho de identificação e delimitação do território indígena. A partir do momento que seja demarcado o território indígena, eu penso que irá amenizar certas situações. Eles vão saber que a terra é nossa que está registrada, documentada. Eles sabem que é nossa, mas não está documentada."
Segundo o Cacique, outros dois defensores que o ajudavam nestas denúncias não agüentaram as intimidações e já se retiraram da área. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denuncia em seu relatório anual sobre conflitos de terra, que só em 2006, no estado do Pará, 118 pessoas estavam ameaçadas de morte.
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