Dourados News-Dourados-MS
Autor: Juliana Oliveira
27 de Abr de 2006
Cacique Bonifácio afirmou que Operação Sucuri é violenta
O cacique Caiuá/Guarani Bonifácio Martins, de 65 anos, fez duras críticas a Operação Sucuri, que trabalha no combate a violência, alcoolismo e entrada dos brancos na aldeia. De acordo com o cacique, a Sucuri está "agindo de forma agressiva fisicamente" com os indígenas.
Acompanhado da esposa, Priscila de Souza, de 55 anos, Bonifácio afirmou que o filho, de 18 anos, Evairton Martins de Souza, foi agredido por agentes da Operação Sucuri na tarde de ontem. O garoto seria acusado de tráfico dentro da aldeia. O cacique nega, e afirma que o filho jamais faria isso.
Na versão dele, o responsável pelo abastecimento da aldeia com drogas ilícitas é conhecido por "Dacem" e este sim seria responsável. Dacem teria "jogado a responsabilidade dos possíveis tráficos dentro da aldeia, em cima de Evairton", afirmou o cacique. Diversas vezes houve truculência, segundo o indígena, para quem a Operação Sucuri trabalha pouco, "mas quando trabalha lá é pra "judiar" dos Caiuá/Grarani".
Bonifácio pensa também que a Polícia Civil deveria respeitar os caciques e chefes das aldeias como autoridades. "O meu filho não mexe com isso, ele não usa drogas, não criei ele para judiarem dele", afirmou Priscila de Souza, mãe do indígena que teria, segundo ela, sofrido com a truculência da polícia. Dentro da aldeia Bororó, onde Bonifácio é um dos caciques, vivem cerca de 1.500 famílias dentre elas o que ele chama de "aculturados e não aculturados", totalizando uma média de 4 mil pessoas.
O líder indígena concluiu a entrevista - durante visita ao Dourados News - afirmando que a violência não diminuiu após o início dos trabalhos da Operação Sucuri na aldeia. "Índio é animal, índio não sabe o que é lei, índio é assim, a polícia não entende isso e judia".
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