VOLTAR

Cacau da floresta dá chocolate de qualidade

Kaxi ANA - Agência de Notícias da Amazônia
07 de mai de 2008

O cacau (Teobroma cacau) é um dos produtos de valor comercial mais antigo da Amazônia. Na condição de um dos mais importantes componentes da cesta de produtos florestais denominada de "drogas do sertão", o cacau ocupa lugar de destaque nas estatísticas amazônicas de produção.

O que intriga na história comercial do cacau é a ausência de ciclos, como o que ocorreu com a borracha, por exemplo. Ao contrário, trata-se de uma produção permanente e, praticamente, ininterrupta por quase duzentos anos. Um desempenho que impressiona e que fornece ao cacau importância econômica considerável.

A novidade na produção de cacau amazônico é que após tentativas um tanto frustradas de cultivos (devido à ocorrência da doença vassoura de bruxa), os plantios de cacau na Amazônia vêm sendo, ao longo dos últimos 20 anos, abandonados. Evidente que reforça a intenção do abandono dos plantios por parte dos produtores, a elevada oferta internacional e o baixo preço operado pelo mercado.

Todavia um nicho de mercado surge com a valorização do cacau nativo. Empresas que detêm marcas tradicionais de chocolates europeus se voltam em busca do sabor característico e exótico do cacau selvagem. Aquele cacau que ocorre na várzea dos rios amazônicos, como o rio Purus.

Foi a percepção desse novo e promissor mercado que levou os extrativistas residentes na Floresta Nacional do Mapiá a fecharem acordos comerciais com uma renomada empresa da Alemanha para fornecimento de um cacau especial, que irá originar um chocolate de alta qualidade.

Indo além, a Cooperar, cooperativa que reúne os extrativistas do cacau do Purus, preocupada em tornar essa produção extrativista sustentável e permanente, procurou os profissionais da Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac) para estudar essa produção e conceber um Plano de Manejo Florestal Comunitário do Cacau Nativo do Purus.

Uma primeira expedição será realizada no período de 16 a 24 de maio próximo, quando os engenheiros florestais estarão no município de Boca do Acre, no Amazonas, para conhecerem o rio Purus e o Manejo Comunitário praticado pela Cooperar.

A expedição faz parte das atividades inseridas no projeto Manejo Florestal Comunitário na Várzea do Rio Purus, recentemente aprovado no âmbito do Edital 036 do CNPq, fruto de uma ampla parceria firmada entre representantes da academia, de institutos de pesquisas, de empresas de extensão florestal e a Cooperar. Além do importante envolvimento da Universidade de Freiburg, da Alemanha.

A equipe do projeto cumprirá extensa agenda, que envolve uma rodada de reuniões com a Cooperar para discussão dos objetivos do projeto, visita às áreas de extração de cacau, conhecimento do sistema de escoamento da produção e diagnóstico das doenças do cacaueiro.

O objetivo principal da equipe é contribuir para que a elevada produção de cacau oriunda da várzea do Purus, realizada pelos extrativistas, possa ser organizada com a elaboração do Plano de Manejo Florestal Comunitário, o que dará a requerida sustentabilidade a essa produção.

O compromisso firmado entre a equipe do projeto e a Cooperar, que justificou o apoio do CNPq, envolve a realização de um intenso processo de inovação tecnológica direcionada à melhoria do processo produtivo atualmente praticado.

O desafio maior do projeto é demonstrar que, com a tecnologia do manejo florestal, é possível produzir o cacau sem a necessidade de plantios. Um desafio complexo e que irá exigir da equipe muita criatividade.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.