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Caça de suíno contribuiria para economia do Pantanal

O Globo, Ciência, p. 34
15 de Mar de 2011

Caça de suíno contribuiria para economia do Pantanal

Renato Grandelle

O porco selvagem é uma das 100 piores espécies invasoras do planeta. Causa danos consideráveis em ecossistemas ameaçados dos EUA e Austrália, entre outros países. São muito férteis: nascem, em média, cinco filhotes por ninhada. Os adultos machos ultrapassam os 90 quilos, podendo ferir seriamente seres humanos. Ainda assim, esse suíno pode ser o grande herói do Pantanal. E, também, o protagonista de uma economia, ainda inexplorada, que renderia até R$5 milhões anuais para os fazendeiros.
Diferentemente do que ocorre em outras regiões de fauna silvestre, nenhuma espécie pantaneira costuma ser atacada pelos habitantes locais. Todos preferem investir contra o porco monteiro, como o suíno selvagem é conhecido.
- Como atrai para si o interesse dos caçadores, o porco contribui involuntariamente para a conservação da fauna silvestre - explica o pesquisador Ubiratan Piovezan, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal).
Segundo uma estimativa conservadora, há cerca de 394 mil porcos monteiros no Pantanal, habitando preferencialmente áreas florestadas. Piovezan defende que os proprietários de terra destinem até 15% dos suínos em suas terras para abate.
- É um percentual que garante ganhos significativos e, ao mesmo tempo, não põe em risco a sobrevivência daquela população de animais - explica. - Nasceria, assim, uma economia de R$5 milhões e 2 mil toneladas de carne por ano, sem grandes investimentos. Para isso, precisamos fazer com que esta caça, mesmo parcial, seja autorizada pela Lei de Proteção à Fauna. Temos a oportunidade de usar o porco monteiro em benefício do bioma.

O Globo, 15/03/2011, Ciência, p. 34

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