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C40 vai reduzir emissões em 3 bilhões de toneladas

O Globo, Sociedade, p. 34
04 de Dez de 2015

C40 vai reduzir emissões em 3 bilhões de toneladas
Grupo formado por 82 cidades pretende atingir meta até 2030

VIVIAN OSWALD vivian.oswald@oglobo.com.br
Enviada especial

-LE BOURGET, FRANÇA- Oitenta e duas megacidades farão esforço conjunto de reduzir as emissões de carbono (CO2) em três bilhões de toneladas até 2030. Trata-se do equivalente ao carbono produzido em toda a Índia ao longo de um ano. O grupo, que ficou conhecido como C40 - criado há uma década pelo prefeito de Londres, Boris Johnson, e do qual participa o Rio de Janeiro -, reuniu-se ontem, às margens da Conferência do Clima, no grandioso Hôtel de Ville, sede da prefeitura de Paris desde 1357. Hoje, os prefeitos devem anunciar um fundo com US$ 5 milhões, que poderá chegar a US$ 20 milhões, destinado a iniciativas de combate à mudança do clima, além de novas medidas para redução das emissões. Esses recursos poderão ser usados para financiar projetos que, se aprovados na COP-21, devem ser priorizados pelos governos nacionais. Outros US$ 5 milhões serão para a Children's Investment Fund Foudantion.
O grupo quer aumentar a pressão para que os negociadores da COP-21 incluam no documento de combate ao aquecimento uma menção formal ao grupo, para que este tenha um poder de atuação mais independente dos Estados nacionais.
- Temos defendido há algum tempo que os governos locais estejam envolvidos nas conversas do aquecimento global. Para eu pegar um financiamento externo, é preciso aval do governo federal. Se isso está entre as ações prioritárias que o governo negociou, acaba criando um fast-track (uma via rápida) - disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes, atual presidente do C40.
A ideia é acelerar as ações individuais que já vêm sendo tomadas por cada uma das cidades do C40. Ontem, nenhum automóvel podia estacionar no Centro de Madri. E nos últimos dois dias, os motoristas não podiam conduzir a mais de 70km/h. A prefeita Manuela Carmena afirmou que as medidas foram tomadas para reduzir o nível de poluição da cidade:
- Foi um teste, porque a contaminação estava muito alta. Se funcionar, podermos repetir outras vezes.
Em Copenhague, 99% das residências foram ligadas a um sistema de calefação eficiente, o que permitiu uma economia de emissões de carbono de 51%. Em Milão, até o fim do ano, toda a iluminação pública será substituída por LED. Vancouver conseguiu este ano reduzir a 50% os automóveis que circulam na cidade com combustíveis fósseis. Já em Estocolmo, até 2030 será criada uma nova área onde as 12 mil casas construídas serão sustentáveis, preparadas para enfrentar as mudanças climáticas, ou resilientes no jargão técnico, e economicamente viáveis.
- Elas também serão livres de combustíveis fósseis - disse a prefeita de Estocolmo, Karin Wanngård. EXIGÊNCIA PARA FINANCIAMENTO
Segundo Paes, os municípios têm uma capacidade de resposta mais rápida aos problemas do que os governos nacionais. Ele lembrou que, desde a COP-15, as cidades do C40 já adotaram mais de dez mil novas medidas de redução de emissões. Hoje, o grupo representa 600 milhões de pessoas ou 25% da economia global.
O BNDES vai passar a exigir restauração de parte da terra para conceder financiamentos de longo prazo. O anúncio foi feito ontem pelo chefe da Área de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Márcio Macedo Costa, em evento da Coalizão Brasil, Clima, Floresta e Agricultura, na União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), sobre os retornos dos investimentos em florestas.

MINISTRO ESPERA TEXTO QUE MOSTRE AVANÇOS

LE BOURGET, FRANÇA- Na reta final de preparação do rascunho sobre o acordo de combate ao aquecimento global, a presidência da Conferência do Clima voltou a pedir pressa aos negociadores. A determinação é que o documento seja entregue ao ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, presidente da COP-21, até amanhã, ao meio-dia.
O lado francês acredita que pode receber até a data marcada um texto "decente", que mostre racionalidade e pragmatismo e, de forma alguma, venha a refletir crise ou dramas. A ideia é tentar mostrar avanços para garantir continuidade entre a primeira e a segunda semana de negociações. O problema é que a presidência francesa já percebeu que muitos países não pretendem mostrar as cartas até que os pontos para um acordo sejam negociados em alto nível.
Em princípio, ficou acertado que 2 graus Celsius continua sendo a meta de aquecimento do planeta até 2100. Fracassou a tentativa de reduzi-la para 1,5 grau Celsius, o que deve se tornar uma meta recomendada no texto final. Em nota divulgada ontem, o Fórum dos Países Vulneráveis ao Clima (ou CVF na sigla em inglês) lamentou a decisão. "Está fora de questão para os países vulneráveis, que já estão perdendo 2,5% do PIB e 50 mil vidas anualmente com um aquecimento de 1 grau, aprovar um resultado que comprometa destruir a nossa sobrevivência", disse o comunicado.

O Globo, 04/12/2015, Sociedade, p. 34

http://oglobo.globo.com/sociedade/metropoles-vao-reduzir-emissao-de-3-b…

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