VOLTAR

Busca por petróleo anima acreanos
Empresários dizem que pesquisas da ANP vão aquecer economia local e parabenizam senador Tião Viana

página 20
Autor: Tião Maia e Romerito Aquino
15 de Fev de 2007

Fruto de uma luta incessante do senador Tião Viana (PT-AC) nos últimos dez anos, os futuros investimentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no Acre, com previsão inicial de R$ 27 milhões na área de prospecção abrangendo também parte do território do Amazonas e da selva peruana, estão sendo aguardados com ansiedade e expectativa pelo setor produtivo do Estado. Os presidentes das três principais federações patronais do Acre, da Indústria, do Comércio e da Agricultura, além da Associação Comercial e Industrial (Acisa), comungam da idéia de que o trabalho do senador, se concretizado com a confirmação da existência de petróleo no Acre, é mais um grande passo para a completa redenção da economia estadual.

O trabalho de pesquisa deverá ser iniciado no prazo de onze meses, quando a ANP realizará licitação para a contratação de uma empresa que vai executar estudos aerogeofísicos cujo objetivo é o reinício da busca petrolífera no Acre, segundo os diretores da agência garantiram a Tião Viana, numa reunião no Rio de Janeiro no início da semana. Na década de 70, parte do território do Acre, na região do Juruá, já foi pesquisada pela Petrobras e há indícios de que a empresa encontrou jazidas de petróleo na região. A ANP confirmou que as pesquisas serão estendidas ao Acre porque estudos iniciais revelaram um grande potencial petrolífero no Estado, principalmente na região do Vale do Juruá. De acordo com a agência, de 10 poços perfurados na selva peruana, na fronteira com o Acre, no Juruá, pelo menos três desses poços atestaram um grande potencial de exploração.

"Mesmo que não seja encontrado petróleo em escala comercial, só o fato de termos uma quantia considerável de recursos sendo injetados na nossa economia é motivo de muita satisfação para os comerciantes", afirmou o presidente da Federação do Comércio do Acre (Fecomércio), Leandro Domingos Teixeira Pinto, ao se referir aos investimentos iniciais da ANP. "Mas, particularmente, tenho muita fé de que é possível se localizar petróleo no Acre porque temos fortes indícios de que a Petrobras obteve sucessos em pesquisas na região do Juruá, na década de 70", disse.

Para Leandro Domingos, além desses indícios, a possibilidade de se encontrar petróleo no Acre é grande também porque o território não está distante da região da Bacia do Solimões, onde foram localizadas as jazidas dos gás de Urucum. "Outro aspecto muito animador é que estamos também muito próximos de Camiséa, no território peruano, onde há muitas jazidas de gás. Isso tudo é muito estimulante e o senador Tião Viana está de parabéns por mais uma vez colocar o Acre no debate dos grandes temas do nosso país", acrescentou Domingos.

"Só o fato de esta licitação ser realizada, já abre uma grande perspectiva de negócios e serviços para a economia do nosso Estado", afirmou ontem o presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), Francisco Salomão. "Serão serviços na área de aluguel de veículos, de máquinas pesadas e em vários outros setores. Sem contar a mão-de-obra, com geração de emprego e renda. Isso é uma excelente notícia e o senador Tião Viana está de parabéns por mais esta ação em favor do nosso Estado", acrescentou.

Os empresários da área da agricultura também vivem a mesma expectativa. "Isso permitirá que a nossa economia possa ter mais uma alternativa. Isso chega num momento muito apropriado porque o Acre precisa encontrar novas alternativas de geração de emprego e renda", disse o presidente da Federação da Agricultura do Acre, Assuero Doca Veronez. "Nós, que exploramos a agricultura, estamos preocupados com a agropecuária no Acre. Em função da legislação ambiental, a pecuária praticamente já não tem mais condições de expansão na nossa região e esta alternativa econômica é a grande esperança de todo o setor produtivo", afirmou.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Acre (Acisa), Adém Araújo, também fez questão de parabenizar o senador Tião Viana pela iniciativa de fazer com que o Acre seja incluído nas operações de pesquisas da ANP. "O Acre está num bom caminho, numa boa rota de desenvolvimento. Só que, para alcançarmos as condições que almejamos, é uma longa caminhada, quase passo a passo. Com esta iniciativa do senador, se concretizada, vamos alcançar mais rápido as metas de desenvolvimento", afirmou. "Particularmente, sou muito esperançoso porque as características do solo do nosso Estado são iguais às localidades onde foram encontradas grandes jazidas de petróleo. Acho que temos uma grande chance", disse Araújo.

Se há petróleo no Peru, por que não haveria no Acre?

Se há ou não petróleo no território acreano, quem tem a palavra é a própria ANP. A agência revela que, em 2005, a produção na região da selva amazônica peruana, próxima ao Acre, foi da ordem de 110 mil barris de petróleo por dia. Ainda em 2005, de acordo com a ANP, a contribuição da chamada "selva sul", que também se situa nas proximidades do Acre, foi da ordem de 32 mil barris/dia. Além disso, a agência informa que 13 companhias petrolíferas já atuam na selva peruana, onde, com exceção da Petrobras, todas as demais são companhias de pequeno e médio portes.

Tamanha riqueza, levou a Petrobras a adquirir um bloco exploratório quase na fronteira com o Acre. Isso ocorreu depois de a empresa brasileira constatar que a empresa peruana Perez Companc incorporou 50 poços de desenvolvimento na selva amazônica daquele país, também nas proximidades do Acre. Isso alimenta a esperança de que, se há petróleo em território peruano, é quase impossível não encontrá-lo também em território brasileiro, na faixa de fronteira que divide o Acre da selva peruana. Ao adquirir a Perez Companc, a Petrobras incorporou 2.459 poços ativos, 117 poços inativos e 497 poços abandonados temporariamente. Em 2005, a produção fiscalizada da Petrobras no Peru foi de 12.578 barris/dia, com uma média de cinco barris/dia por poço, com densidade média do petróleo naquele país da ordem de 33o API (petróleo leve).

E o petróleo encontrado em solo peruano é de excelente qualidade, atestam as notas técnicas da ANP. Medida em graus, a escala API varia inversamente com a densidade relativa. Isso significa que, quanto maior a densidade relativa, menor o grau API. O grau API é maior quando o petróleo é mais leve. Petróleos com grau API maior que 30o são considerados leves. E quanto maior o grau API, maior o valor do petróleo no mercado. Portanto, o petróleo encontrado no Peru é de boa qualidade.

Os técnicos da Agência Nacional do Petróleo esclarecem que os estudos em busca do petróleo e gás vão começar no Acre com o levantamento geoquímico da bacia sedimentar do Estado, que se situa em região circundada por outras bacias sedimentares, como as do Amazonas, Peru, Bolívia e Venezuela, onde já se comprovou a existência de grandes quantidades dos dois combustíveis fósseis.

As prospecções começam com a análise do solo, que poderão ampliar as perspectivas da existência das duas matérias-primas energéticas no subsolo do Estado. Confirmados os indícios, passa-se então para a fase dos estudos aéreos, onde aparelhos os aparelhos varrem o território mandando sons para o solo. O retorno dos sons ampliam as probabilidades da existência de petróleo e gás.

Depois dos levantamentos aéreos, a fase seguinte é dos estudos sísmicos, com a realização de pequenas explosões próximas à superfície, o que vai ampliar ainda mais a probabilidade da existência dos combustíveis. Ampliada a probabilidade, os técnicos passam então a executar os furos exploratórios de grandes profundidades, que confirmarão a existência das matérias-primas e em que quantidades elas existem no subsolo.

Os R$ 27 milhões definidos pela ANP para prospecção de petróleo e gás serão gastos na aquisição de 105 mil quilômetros de perfis aerogravimétricos e aeromagnetométricos nas bacias sedimentares do Acre, de Madre de Dios (Peru) e do Solimões (AM). Segundo a ANP, os perfis vão servir para a geração de mapas indispensáveis que fornecerão informações básicas sobre o arcabouço das três bacias sedimentares. A ANP tem disponível no OGU deste ano recursos da ordem de R$ 75 milhões para fazer prospecções de petróleo e gás em todo o território nacional.

Os dados dos perfis permitirão a melhor avaliação e delimitação de blocos exploratórios nessas áreas, além de aumentar o interesse exploratório e permitir uma localização mais precisa e eficiente de novos levantamentos, sejam geoquímicos, sísmicos ou a perfuração de poços estratigráficos.

Ainda de acordo com a ANP, as bacias do Acre e de Madre de Dios têm sedimentação paleozóica semelhantes à da bacia do Marañón e a da bacia do Ucayali, onde se encontra em conjunto de grandes campos de gás e condensado denominado Camisea, no Peru, descoberto pela Shell em 1984. Em Camisea, o volume estimado de gás é de 16,6 trilhões de pés cúbicos de gás seco e 970 milhões de barris de petróleo.

A ANP tem disponível no OGU deste ano recursos da ordem de R$ 75 milhões para fazer prospecções de petróleo e gás em todo o território nacional.

Essa não será a primeira vez que haverá estudos no subsolo acreano para se saber da existência de petróleo no Acre. Na década de 70, a Petrobras perfurou poços na região da Serra do Moa, no Vale do Juruá, onde a empresa descobriu a existência de boa quantidade de gás, mas o produto não foi explorado comercialmente devido à distância e às dificuldades de ordem tecnológica da época.

Mas, hoje, com a perspectiva de conclusão da BR-364 até Cruzeiro do Sul, o transporte aquático durante o inverno amazônico e o desenvolvimento de novas técnicas de extração e refino, o gás descoberto no Juruá passa a ser atrativo para quem quiser explorá-lo comercialmente.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.