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Brasília afia as motosserras

Greenpeace - http://www.greenpeace.org
04 de Mai de 2011

No início da madrugada de hoje, 4 de maio, Marcio Astrini, da Campanha da Amazônia, deixou o prédio do Congresso em Brasília e mandou mensagem contando o que aconteceu na véspera em torno da tramitação do projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que altera o Código Florestal. O dia não foi nada bom. A Câmara decidiu por maioria quase absoluta que vota hoje o projeto do deputado comunista, que tem o explícito patrocínio dos representantes da bancada ruralista.

O projeto de Aldo vira de ponta-cabeça 78 anos de tradição das leis ambientais brasileiras. O Código Florestal foi promulgado pela primeira vez em 1934 para proteger a biodiversidade e os recursos naturais das nossas florestas e ele nunca se desviou desse curso nas três vêzes em que sofreu modificações. Até agora. Se a coalizão ruralistas-comunista vencer na Câmara, o Código vira um instrumento que premia o desmatamento. O projeto anistia desmatadores e dispensa a agropecuária das obrigações de recuperar seu passivo ambiental.

Em sua mensagem, Astrini mostra que nem mesmo o governo Dilma parece interessado em levar adiante a promessa da presidente, feita durante a campanha eleitoral, de impedir que o projeto de Aldo fosse aprovado na íntegra. Antonio Palocci, Chefe da Casa Civil, conversou com ambientalistas na manhã de terça e deixou no ar a possbilidade de que o governo enfrentaria os ruralistas na Câmara. De tarde, Palocci recebeu Aldo e não disse sobre o que conversaram. Mas na madrugada, com o apoio maciço do PT, os deputados votaram a favor do regime de urgência para a votação das mudancas no Código Florestal.

Leia o relato de Astrini:

'Passa da meia noite e chegou ao fim a votação do pedido de urgência para a tramitação do projeto do Aldo que altera radicalmente o Código Florestal brasileiro. O pedido ganhou por 399 votos a 18.

A derrota acachapante deveu-se principalmente aos 85 deputados do PT que votaram pela urgência. O líder do PT disse que só vota o texto quando Aldo acatar os pontos do governo no seu relatorio. A ver. O declaratório político, sobretudo do governo e do PT, sobre o Código Florestal tem sido marcado por completa falta de substância.

Achismos e impressões a parte, o saldo é que hoje o dia comecou com uma reunião com o Palocci dando a entender q poderia haver um rompimento entre governo e Aldo. Mas terminou com Aldo saindo a tarde de uma conversa com o proprio Palocci e com o PT votando com os ruralistas. Estes sao os fatos. Apenas PSOL e PV votaram contra como partido.

Amanhã (hoje) o projeto do Aldo será votado. O início do fim da legislação que protege nossas florestas está marcado para começar às 13 horas na Câmara Federal. O primeiro item da sessão (parece brincadeira) é uma MP que dá ajuda fiscal para empreendimentos de nuclear ou algo proximo disso. O Código é o segundo ponto.

O PT promete obstruir. O governo diz que não deixa votar se nao mudar o relatório de Aldo. É o mesmo trololó que vem rolando há dois meses e que, até agora, só resultou em um fato: a pauta ruralista avançou.'

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Brasilia-afia-as-motosserr…

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