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Brasileiro se preocupa com clima, diz pesquisa

OESP, Vida, p. A17
28 de mar de 2007

Brasileiro se preocupa com clima, diz pesquisa
Maioria dos entrevistados entende que enchentes e doenças vão piorar

Giovana Girardi

A maioria da população brasileira já ouviu falar em aquecimento global e se diz preocupada ou muito preocupada com as eventuais conseqüências climáticas. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida na semana passada pelo Ibope a pedido da agência de publicidade Nova S/B.

Foram entrevistadas 1.400 pessoas em todas as regiões do País, e o resultado sugere que os brasileiros estão dispostos a abraçar campanhas que tenham como meta uma redução do efeito estufa, segundo avaliação do diretor da agência, Bob Vieira da Costa. Quase metade dos participantes (49%) declarou estar muito preocupada com o aquecimento e 37% dizem estar preocupados.

A maioria também mostrou entender quais riscos estão em jogo. Quando questionados sobre os impactos do aquecimento, a maioria afirmou que ele deverá piorar muito a produção agrícola, as enchentes, as doenças tropicais e as secas.

"A população está muito mais consciente das mudanças climáticas do que imaginávamos. Há uma grande percepção e assimilação do problema. Eu imaginava que nem metade dos participantes teria essa compreensão", afirma Costa. "Esses números nos levam a crer que campanhas públicas que lançassem um apelo nacional para, por exemplo, o brasileiro deixar o carro em casa uma vez por semana poderiam ser bem recebidas. A pesquisa mostra que há uma predisposição do brasileiro em aceitar esse convite."

Outra surpresa apontada na pesquisa é que essa compreensão não ocorre apenas nas classes mais altas: 81% dos brasileiros que só estudaram até a 4ª série e 80% dos que ganham até 1 salário mínimo afirmaram que estão preocupados ou muito preocupados com o problema.

"Acredito que é possível fazer em relação às mudanças climáticas o mesmo que foi feito no Brasil na campanha de prevenção à aids. Informações massivas e constantes levaram o brasileiro a entender a importância de usar camisinha e a evitar uma catástrofe. Sobre o aquecimento, a compreensão já existe. Governo e iniciativa privada precisam agora convocar a população a tomar atitudes", diz.

Os resultados obtidos pelo Ibope batem com uma pesquisa que será divulgada hoje pela ONG ambiental Instituto Akatu. Segundo o estudo, 84% da população concorda que o modelo de produção e consumo precisa ser alterado para evitar os efeitos do aquecimento e 51% concordaram que não é exagero dizer que as ações individuais tem impacto mundial. "Acho que de fato os brasileiros têm noção do problema, mas para isso gerar frutos é preciso cada vez mais conscientizá-los do papel de cada um", afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Akatu.

CONSCIÊNCIA

91% dos 1.400 entrevistados pelo Ibope disseram que já ouviram falar de aquecimento global

86% se dizem preocupados ou muito preocupados com o problema

68% afirmaram que o aquecimento é um problema imediato e que deve ser combatido por todos

63% disseram que a prioridade do País deve ser cuidar do meio ambiente, mesmo que isso prejudique um pouco o crescimento

OESP, 28/03/2007, Vida, p. A17

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