O Globo, nov., Planeta Terra, p. 17
Autor: TEIXEIRA, Izabella
30 de Nov de 2010
Brasil será modelo
O Brasil vai ser um modelo para os países em desenvolvimento e intermediará as discussões destes com os países ricos. Este é o papel que o país terá em Cancún, segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A ministra também saiu em defesa da presidente eleita Dilma Rousseff, afirmando que a visão de que ela é insensível à questão ambiental é um equívoco.
Entrevista: Izabella Teixeira
Catarina Alencastro
Brasília
O Globo: O que se pode esperar do Brasil na COP-16?
Izabella Teixeira: O Brasil terá um papel de diálogo para achar o equilíbrio que resulte num pacote de decisões em Cancún. Nosso papel é sentar na mesa de negociações, entender as diferenças e dificuldades e procurar resultados. O desafio é fazer as coisas acontecerem. Apostamos na grande capacidade do Brasil de negociar.
O Globo: O governo pretende apresentar os resultados que alcançou na área climática?
Izabella: Nós vamos ter o "Espaço Brasil" para mostrar o que estamos fazendo, e como a gente pode fortalecer a cooperação Sul-Sul. O Brasil quer ser um key player na cooperação Sul-Sul. Nós queremos compartilhar. Nossa disposição é ser um ator estratégico no diálogo Sul-Sul e ser um ator estratégico no diálogo do Sul com o Norte.
O Globo: O Brasil se apresenta como modelo a ser seguido?
Izabella: Na questão do desmatamento da Amazônia, o Brasil levou 20 anos para ter esse modelo que tem hoje de monitoramento e de ação estruturada com mecanismos econômicos e de fiscalização. Nós queremos divulgar para adensar, com vistas a trazer pessoas para que a gente possa trabalhar juntos. Nós temos soluções que se mostram viáveis. Nos últimos anos, conseguimos assumir tanto no governo, quanto no setor privado, avanços e compromissos na questão climática.
O Globo: Em Nagoia, na Convenção de Biodiversidade, o Brasil ajudou a que se chegasse a um acordo. Mas na área climática os impasses são maiores. O que fazer para que Cancún não seja um fracasso?
Izabella: Nagoia nos mostrou que é possível sentar numa mesa para conversar e acolher convergências. A discussão multilateral saiu fortalecida. Nós levamos oito anos para chegar num protocolo no qual todos tiveram que ceder para ter. Em Cancún estamos continuando um processo que foi rompido em Copenhague. É um tema complexo, que tem que ser lidado aos poucos. Espero que Cancún seja dedicado às pessoas que estão de fato buscando soluções para as questões climáticas, e não pessoas interessadas no tema, mas que não querem buscar soluções.
O Globo: O Brasil tem planos setoriais para cumprir as metas de redução de emissões com as quais se comprometeu. O governo espera receber dinheiro de outros países para dar conta do recado?
Izabella: O Brasil está estabelecendo seus compromissos a partir de recursos que já tínhamos desenhado. O Brasil é um país que colocou dinheiro no FMI. Queremos recursos externos em particular para fortalecer a cooperação Sul-Sul e para dar escala às iniciativas que estão colocadas no Brasil. Eu posso fazer tudo mais rápido se tivermos recursos adicionais. Não se exclui recursos externos, mas não estamos competindo com países vulneráveis.
O Globo: Algumas ONGs temem que a entrada de Dilma Rousseff na Presidência possa significar um retrocesso na área.
Izabella: Há uma visão muito equivocada sobre a presidente eleita. Tudo o que eu vi como ministra do Meio Ambiente e, antes, como secretária-executiva do ministro Minc, foi uma Dilma aliada do ministério. No que ela sempre foi crítica, no sentido positivo, é que ela queria solidez nos números apresentados para o Brasil assumir compromissos climáticos. Se o Brasil ia ter metas, os números tinham que ser sólidos, ela dizia. Eu não tenho esse temor de retrocesso nas negociações climáticas. Pelo contrário. Ela demonstrou que quer fazer essa agenda avançar.
O Globo, nov., Planeta Terra, p. 17
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