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Brasil propõe gatilho para elevar metas de Kyoto

OESP, Vida, p. A24
05 de Dez de 2012

Brasil propõe gatilho para elevar metas de Kyoto
Proposta brasileira é de que as metas de corte de emissões possa ser aumentada durante 2o período do protocolo

Giovana Girardi, Enviada especial

DOHA - Na tentativa de destravar ao menos em parte a pouca ambição dos países na Conferência do Clima da ONU, o Brasil propõe uma espécie de gatilho para aumentar as metas de reduções de emissões das nações que se comprometerem com o segundo período do protocolo de Kyoto.
A continuidade do tratado, cujo primeiro período termina no final do ano, foi uma das decisões tomadas no ano passado na COP de Durban (África do Sul). Para a conferência atual tinham sobrado detalhes a serem resolvidos, mas a situação ficou mais complicada do que se imaginava.
O segundo período é considerado essencial pelo Brasil e outros Basics (China, Índia e África do Sul) por poder servir de referência de regras básicas para um novo tratado climático que tem de ser estabelecido até 2015. Os países que concordaram em participar (como os da União Europeia e a Austrália) respondem por 15% das emissões mundial e estão chegando com propostas não muito altas para os próximos anos. A UE fala em cortar 20% em relação a 1990, sendo que afirma estar chegando a quase18%.
Alguns países em desenvolvimento, em especial as ilhas, que normalmente pedem mais urgência por conta dos ricos de elevação do nível do mar, acham que isso é muito pouco. A UE não consegue aumentar mais porque a Polônia não quer. A ideia era chegar a pelo menos 30% até 2020.
O Brasil propõe que a meta seja elevada no decorrer do período - o que grupo europeu já tinha proposto -, mas que essa definição já esteja prevista. "A ideia é que seja possível subir os valores a qualquer momento, sem ter de refazer a emenda ou passar por um novo processo de ratificação", explica o embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe do Brasil.
"O segundo período de compromisso é a chave dessa negociação. Se ele não for feito aqui, temo que os outros elementos não aconteçam", diz.
Nesta terça-feira, 4, teve início o chamado segmento de alto nível, no qual ministros e chefes de Estado assumem as negociações. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu mais uma vez urgência e vontade política.

Grã-Bretanha se compromete a doar US$ 2,4 bilhões

A Grã-Bretanha anunciou ontem o primeiro compromisso entre as nações ricas de prover um financiamento para medidas de adaptação de nações em desenvolvimento pelos próximos anos. A promessa é distribuir 1,8 bilhão de libras (cerca de US$ 2,9 bilhões) entre 2013 e 1015.
O anúncio foi feito pelo secretário de Energia e Mudança Climática, Ed Davey, na Conferência do Clima da ONU, que ocorre em Doha (Catar) até o fim da semana. A Grã-Bretanha está no grupo de países que se comprometeu em 2009 a colocar, de 2010 a 2012, US$ 30 bilhões em um fundo rápido e mais US$ 100 bilhões até 2020.
"É importante que os outros países mostrem que estão comprometidos a se manter ambiciosos em financiamento climático nos próximos anos, mesmo que estejam enfrentando momentos difíceis", disse Davey.
Como os US$ 100 bilhões serão distribuídos ao longo dos próximos oito anos é um dos dilemas desta COP. Os países em desenvolvimento querem que se estabeleça aqui um mapa do caminho até lá e têm pedido uma meta intermediária - até 2015, por exemplo.
O G-77 (grupo dos países em desenvolvimento mais a China) sugeriu que fossem liberados US$ 60 bilhões até 2015. O documento resultante da primeira semana de negociações, que agora vai para os ministros, porém, não fala nada sobre 2013-2015. / G.G.

OESP, 05/12/2012, Vida, p. A24

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