OESP, Metrópole, p. A17
06 de Nov de 2015
Brasil lidera ranking de preocupação com o clima
Cláudia Trevisan - Correspondente
WASHINGTON - A grande maioria de pessoas entrevistadas em 40 países dos cinco continentes é favorável a que seus governos assumam compromissos de redução da emissão de gases que provocam efeito estufa na Conferência do Clima marcada para Paris em dezembro, revela levantamento do Pew Research Center, um dos mais respeitados institutos de pesquisa do mundo.
Divulgado nesta quinta-feira, o estudo mostra que uma mediana de 78% dos entrevistados apoia a contenção de emissões em seus países. O índice supera o grau de preocupação da opinião pública com a mudança climática: 54% disseram considerar o fenômeno um problema "muito sério".
A população dos dois maiores poluidores do planeta revelou níveis de apreensão inferiores à mediana global. Na China, apenas 18% dos entrevistados disseram que a mudança climática é um problema "muito sério". Ainda assim, 71% se declararam a favor da adoção de limites de emissões pelo país como parte de um acordo internacional sobre o tema. Nos EUA, os resultados foram de 45% e 69%, respectivamente.
Os brasileiros lideram o ranking do grau de apreensão com o fenômeno. A mudança climática é vista como algo "muito sério" por 86% dos entrevistados. O País aparece em sexto lugar no apoio a medidas que limitem as emissões, com 88%. A maioria da opinião pública brasileira diverge da posição do governo Dilma Rousseff na questão de quem deve arcar com a maior parcela dos custos do combate ao aquecimento global.
Para 59%, os países em desenvolvimento devem assumir tantos compromissos quanto os países ricos, já que produzirão grande parte das emissões de gases poluentes no futuro. A posição de que as nações ricas devem pagar a maior fatia da conta é apoiada por 37% dos entrevistados.
O Brasil defende nas negociações o princípio de responsabilidade comum, mas diferenciada, pelo qual as nações desenvolvidas devem responder por uma parcela maior dos esforços de combate ao aquecimento global. Essa posição é apoiada pela maioria dos entrevistados nos 40 países, com uma mediana de 54%.
"O estudo mostra que a preocupação com a mudança climática é generalizada ao redor do mundo. Vemos variações entre regiões e países, mas em todas as regiões, em todos os países vemos um grau significativo de apreensão", disse ao Estado Richard Wike, diretor de pesquisas de atitudes globais do Pew Research Institute. "Esse é um verdadeiro problema global e é objeto de preocupação em escala global."
Wike disse ainda que a pesquisa releva um elevado grau de apoio à ideia de limitar a emissão de gases que provocam o efeito estufa como parte de um acordo internacional na Cúpula de Paris.
Os dados foram levantados em entrevistas pessoais e por telefone com 45.435 pessoas em 40 países, realizadas entre os dias 25 de março e 27 de maio. O resultado mostra diferenças entre moradores de países ricos e de nações em desenvolvimento na maneira pela qual a ameaça do aquecimento global é percebida. Responsáveis pelas maiores emissões per capita do planeta, as nações desenvolvidas registram um menor grau de preocupação com o assunto do que as em desenvolvimento.
Os maiores níveis de apreensão são registrados na América Latina e na África, onde uma mediana de 74% e 61%, respectivamente, consideram o aquecimento global como um problema "muito sério". Na Europa, o índice é de 54% e, nos EUA, de 45%. Maior poluidor do mundo, a China registra o mais baixo de preocupação com o tema: 18%.
Segundo Wike, parte da diferença se deve à percepção de que o entrevistado pode ser pessoalmente afetado pela mudança climática, mais acentuada nos países em desenvolvimento, nos quais há mais pessoas em situação vulnerável. Na América Latina, 63% dos entrevistados dizem temer o impacto da mudança climática em suas vidas -no Brasil, o índice sobe para 78%. Nos países africanos, o porcentual é de 61%. Entre os europeus, apenas 27% declaram estar muito preocupados com os efeitos do fenômeno em suas vidas, índice semelhante ao registrado nos Estados Unidos. Ainda assim, os moradores da Europa registram o mais elevado nível de apoio à adoção de compromissos por seus governos para limitar a emissão de gases que provocam efeito estufa, com uma mediana de 87%.
2/3 apostam em transformação de estilo de vida contra efeito da mudança climática
Cláudia Trevisan - Correspondente
WASHINGTON - Grandes mudanças de estilo de vida serão mais importantes para reduzir os efeitos da mudança climática do que o uso da tecnologia, na avaliação de quase dois terços do entrevistados pelo Pew Research Institute em 40 países dos cinco continentes. As mulheres e pessoas com visões políticas progressistas tendem a colocar mais ênfase na necessidade de transformação de hábitos do que os homens e os conservadores.
Os brasileiros lideram esse ranking, com 89%, seguido dos franceses e sul-coreanos, ambos com 83%. Os índices superam a mediana global de 67% que manifestaram a mesma opinião. No Brasil, apenas 10% acreditam que a tecnologia poderá sozinha resolver o problema da mudança climática, menos da metade da mediana global de 22%.
Por região, os mais elevados níveis de apoio a mudanças de estilo de vida são registrados na América Latina (83%) e na Europa (73%). Entre os americanos, donos da maior emissão per capita do planeta, 66% defendem a transformação de hábitos, enquanto 23% acreditam no poder da tecnologia. Na China, uma parcela de 30% sustenta que a tecnologia poderá resolver o problema, enquanto 58% veem a necessidade de mudanças no estilo de vida.
Com uma maioria de 78%, o Brasil está entre os países que mais defendem o desenvolvimento de fontes alternativas de energia limpa, como solar e eólica. A expansão na exploração de petróleo, gás e carvão é apoiada por 11% dos entrevistados, mesmo índice dos que se dizem favoráveis à construção de usinas nucleares. O apoio à criação de fontes alternativas de energia é menor nos demais países do BRICS: 51% na China, 44% na Índia, 29% na África do Sul e 28% na Rússia.
OESP, 06/11/2015, Metrópole, p. A17
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