O Globo, Caderno Especial, p. 7
17 de Set de 2012
Brasil já é o 3o maior produtor mundial de biodiesel
Em quatro anos, volume gerado no país cresce 129%. Empresas planejam ampliar investimentos no setor
Danielle Nogueira
danielle.nogueira@oglobo.com.br
Em apenas quatro anos, a produção de biodiesel no Brasil mais que duplicou, elevando o país ao posto de terceiro maior produtor mundial em 2011, atrás apenas de EUA e Argentina. No ano passado, as 61 usinas brasileiras em operação produziram 2,672 bilhões de litros de biodiesel, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume foi 129% maior que o registrado em 2008 (1,167 bilhão de litros), quando a mistura de biodiesel ao diesel mineral se tornou obrigatória.
Apesar de o mercado doméstico estar limitado ao chamado B5 (diesel que tem adição de 5% de biodiesel) e de o Brasil ainda não ter uma tradição na exportação do produto, as empresas do setor estão confiantes na sua expansão e já estudam investir na ampliação de sua capacidade.
Grupo da Petrobras lidera setor
Atualmente, o país ainda consome volume equivalente a menos da metade da capacidade instalada nacional (6,9 bilhões de litros), mas já é líder mundial em consumo do biocombustível.
Quem encabeça este movimento é a Petrobras Biocombustível, subsidiária da estatal criada em 2008. A empresa reservou US$ 690 milhões dos US$ 2,5 bilhões em investimentos previstos no seu Plano de Negócios (2012-2016) para a produção de biodiesel. Entre os projetos, destaca-se uma nova usina no Pará, que será abastecida com óleo de palma.
Avaliado em US$ 100 milhões, o complexo compreende o plantio de cinco mil hectares de palma e uma unidade que produzirá 200 milhões de litros por ano de biodiesel. A ideia, segundo o presidente da empresa, Miguel Rossetto, é atender prioritariamente a Região Norte a partir de 2015. Esta será a sexta usina da estatal, que possui três unidade próprias, entre elas a Usina de Montes Claros (MG), e duas em parceria com a BSBIOS. Juntas, as cinco usinas já existentes têm capacidade de cerca de 700 milhões de litros por ano ou 10% da capacidade nacional.
Emissão de poluentes é 57% menor, diz FGV
Doenças e internações são reduzidas. País já economizou US$ 2,7 bi
Entre os benefícios do biodiesel está a redução de emissão de poluentes. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), o biocombustível emite 57% menos gases poluentes que o diesel mineral. O mesmo estudo estima que, com a adição de 5% de biodiesel ao diesel, são evitadas 12.945 internações por ano resultantes de doenças respiratórias e que sejam poupadas 1.838 vidas pela mesma razão. Há ainda ganhos econômicos. Entre 2005, ano seguinte ao que foi criado o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), e 2010, foram economizados US$ 2,68 bilhões em importações de diesel.
- Os ganhos poderiam ser maiores, se não tivéssemos limitação ao crescimento do mercado nacional - diz Erasmo Battistella, presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). A expectativa da indústria era que o B10 (adição de 10% de biodiesel ao diesel) se tornasse obrigatório este ano, mas o governo vem adiando a determinação. Entre outras explicações do adiamento estão a excessiva dependência da soja - o grão é fonte de 80% da produção nacional, o que tornaria o país refém de eventual quebra de safra - e o preço do biodiesel. Este é de 40% a 70% maior que o do diesel mineral. Ao ampliar o percentual da mistura, o governo contribuiria para pressionar a inflação.
Além de ampliar a produção do biodiesel, o Brasil está reunindo esforços para o desenvolvimento do etanol de segunda geração. Este difere do etanol de primeira geração por ser obtido a partir do bagaço da cana, e não do caldo de cana. Um detalhe capaz de aumentar em 50% a produtividade das usinas. Segundo o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, o modelo tradicional permite produzir, em média, cerca de sete mil litros de etanol por hectare plantado. A segunda geração do combustível eleva esse volume para aproximadamente 11 mil litros por hectare.
A expectativa da empresa é produzir etanol de segunda geração em escala industrial a partir de 2015, projeto que deve consumir R$ 200 milhões.
Enquanto isso, a companhia aposta no etanol de primeira geração. Está investindo R$ 520 milhões em parceria com o grupo São Martinho para ampliar a capacidade de moagem da usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), de 2,3 milhões de toneladas para oito milhões de toneladas na safra 2014/2015.
Números
80% do biodiesel no Brasil vêm da soja.
R$ 200 milhões
É quanto a Petrobras Biocombustíveis vai investir para produzir etanol de 2ª geração.
O Globo, 17/09/2012, Caderno Especial, p. 7
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