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Brasil ganha campanha para salvar tubaroes

O Globo, Ciencia, p.24
16 de Nov de 2004

Brasil ganha campanha para salvar tubarões
Maior desafio é mostrar que o animal não é um devorador de pessoas e é essencial ao equilíbrio dos mares
Salvem os tubarões é o apelo que um grupo de biólogos brasileiros lançará na próxima semana visando à preservação desses animais. A tarefa, no entanto, é das mais complicadas. Diferentemente de golfinhos, tartarugas e baleias — temas de campanhas semelhantes — tubarões são vistos como verdadeiros devoradores de gente por boa parte da população, que dificilmente encararia com simpatia um programa para salvá-los.
— Mas existem boas razões para preservar tubarões e muitos argumentos para mostrar que eles não são as feras que se imagina — garante o biólogo marinho Marcelo Szpilman, idealizador do Projeto Tubarões no Brasil (Protuba).
Das 88 espécies que ocorrem no litoral brasileiro, 33 figuram como ameaçadas de extinção em listagens oficiais. Se nada for feito, sustenta Szpilman, algumas poderão estar extintas antes mesmo do fim desta década, causando um sério desequilíbrio ambiental.
— O tubarão exerce dois papéis fundamentais. Em primeiro lugar, ele controla a saúde do ambiente porque come animais mortos, em decomposição, evitando a proliferação de microorganismos. Exercem um papel semelhante ao do urubu em terra — explica. — O segundo papel importante, é que o tubarão controla a proliferação das populações de outros animais, mantendo o ecossistema equilibrado. Tirar o tubarão dessa cadeia alimentar pode, por exemplo, gerar um aumento no número de focas que, por sua vez, vão consumir mais peixes, comprometendo a nossa pesca.
É mais fácil morrer atacado por um cão, diz biólogo
Além disso, garante o biólogo, os tubarões não são feras assassinas prontas a devorar o primeiro ser humano que cruzar seu caminho. Das 400 espécies existentes em todo o mundo, apenas três seriam efetivamente perigosas.
— É preciso deixar claro que tubarão tem medo de gente e não mastiga ser humano. Em 90% das vezes ele morde por erro de identificação. Por isso, dá uma mordida e vai embora — garante. — Tubarão come outros peixes, não fazemos parte de seu cardápio. Se fizéssemos, seria perigosíssimo ir à praia.
A maioria das mortes decorrentes de ataques de tubarão é causada pela falta de socorro, segundo o biólogo. São, em média, 90 ataques por ano em todo o mundo, dos quais apenas 12 são fatais.
— É muito mais fácil morrer atacado por um cachorro.
A maior ameaça aos tubarões é a pesca não sustentável, segundo Szpilman. O quilo da barbatana chega a custar US$50 no mercado internacional.
— Não sou contra pescar tubarão — diz. — Mas é preciso um estudo específico para isso porque sua taxa de reposição é muito mais baixa do que a da maioria dos peixes.

O Globo, 16/11/2004, p. 24

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