OESP, Nacional, p. A9
12 de Fev de 2004
Brasil fecha acordo contra tráfico na Amazônia
Força conjunta com Colômbia e Peru também combaterá contrabando e crimes ambientais
Edson Luiz
Enviado especial
TABATINGA - Brasil, Colômbia e Peru vão realizar operações conjuntas de repressão a tráfico de drogas, contrabando e crimes ambientais nos rios da fronteira entre os três países. Colômbia e Peru agirão com suas Marinhas e o Brasil, com a Marinha e a Polícia Federal. O acordo, a primeira operação militar conjunta na América do Sul, foi assinado entre os três ministros da Defesa ontem e pode ser o primeiro passo para que os dois países vizinhos integrem o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).
"É uma demonstração clara de união de nossas forças e nossos esforços para salvaguardar a ordem e a justiça na região", disse o ministro José Viegas.
"Conhecendo as ameaças comuns, juntos poderemos enfrentá-las. Em toda a América do Sul e no arco amazônico desejamos fortalecer o intercâmbio de informações no combate principalmente ao tráfico."
Pelo acordo, os três países vão fiscalizar barcos, em busca de eventuais cargas de drogas ou produtos químicos usados para o refino de cocaína. Com o aumento da vigilância aérea, por meio do Sivam, o tráfico de drogas passou a ser maior por via fluvial. O acordo tem significado maior para a Colômbia, que tem reforçado o policiamento na fronteira, onde há deslocamento constante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
"Queremos aumentar nossa presença principalmente no sul e sudeste, na fronteira entre os três países", disse o ministro da Defesa colombiano, Jorge Alberto Uribe Echavarria. Viegas confirmou o aumento do efetivo na Amazônia, com a criação de uma brigada em São Gabriel da Cachoeira e a formação de Batalhões Especiais de Fronteira em toda a região.
Navio - O ato de assinatura do acordo foi realizado no Rio Solimões, a bordo do navio patrulha fluvial Pedro Teixeira, da Marinha do Brasil, sob forte esquema de segurança de militares dos três países. No encontro, de que participaram os ministros da Defesa, o da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o diretor da PF, Paulo Lacerda, ficou praticamente decidido que o Sivam pode ser uma alternativa também para colombianos e peruanos no combate ao narcotráfico.
"Temos interesse em que os países vizinhos se associem ao Sivam", confirmou Viegas. Ele teve apoio dos colegas. "O sistema é um dos mais sofisticados e temos interesse em conversar sobre nossa participação nele", disse Echavarria. "Temos de nos integrar gradualmente, e depois definitivamente", acrescentou León.
OESP, 12/02/2004, Nacional, p. A9
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