OESP, Economia, p. B13
20 de Abr de 2008
Brasil é um bom exemplo, diz ONU
Para Ban Ki-Moon, críticas feitas ao etanol são 'injustas'
Jamil Chade
Em meio a um tiroteio de opiniões sobre o impacto do etanol nos preços dos alimentos, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, saiu ontem em defesa dos biocombustíveis e disse apoiar sua expansão. Em entrevista ao Estado, ele afirmou que seria "injusto" culpar o etanol pelas altas dos preços das commodities. "A todos os que criticam o etanol, sempre cito o exemplo de sucesso do Brasil", disse o secretário, em seu primeiro dia de turnê pela África.
O Estado foi um dos três veículos de comunicação convidados a acompanhar a viagem de Ban Ki-Moon por Gana, Libéria, Burkina Fasso e Costa do Marfim, para tratar da questão dos alimentos. Hoje, o secretário se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Accra, Gana. Os dois participam da abertura da Conferência da ONU para o Desenvolvimento. "No Brasil, nenhuma terra que deveria ser usada para alimentos produz etanol", afirmou.
Críticos do etanol alegam que a expansão do combustível está produzindo uma disputa por terras e elevando os preços dos alimentos. O último a acusar os biocombustíveis foi o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Domininique Strauss-Kahn.
Ban Ki-Moon discorda. "O etanol é uma energia limpa", disse. Ele reconhece que o relator da ONU para Direito à Alimentação, Jean Ziegler, condena a expansão do etanol. Mas observa que a visão não é unânime dentro da entidade. "O Brasil tem etanol há 30 anos e hoje 80% dos carros têm motores que aceitam o combustível. Esse é o exemplo."
Para Ban Ki-Moon, há outros fatores que afetam as cotações das commodities. Um deles é o preço do petróleo, que estaria elevando o custo dos fertilizantes. Outro problema seria a margem cada vez maior de lucro dos intermediários.
Embora defenda o etanol, Ban Ki-Moon alertou para a crise dos preços dos alimentos e disse que o tema é prioritário em sua agenda. "Corremos o sério risco de ver perdidos os últimos sete anos de desenvolvimento e de redução da pobreza no mundo. Além disso, tudo indica que as tensões políticas podem ser perigosas."
OESP, 20/04/2008, Economia, p. B13
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