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Brasil é o País mais atrativo da América Latina

GM, Industria, p. C2
24 de Jun de 2005

Brasil é o País mais atrativo da América Latina

Entre outros pontos, estudo do BID avalia disponibilidade e produtividade. Um estudo inédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que o Brasil lidera o ranking de atratividade de investimentos no setor de base florestal na América Latina e Caribe. Pelo levantamento, que estabelece uma pontuação de 0 a 100, o País ficou com 60 pontos, à frente de países como Chile, com 53 pontos, e Argentina e Uruguai, ambos com 44.
Esse é o primeiro e mais completo diagnóstico já realizado sobre o setor de base florestal - que inclui as operações na área de madeira e papel e celulose - na região. O levantamento, que demorou um ano e meio para ser concluído, considerou o desempenho de 26 países. O Índice de Atração ao Investimento Florestal (IAIF) levou em conta 80 variáveis em 20 categorias e estabeleceu uma escala que toma como base a relação entre rentabilidade e investimento.
Entre os dados considerados estão níveis de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), taxas de câmbio e de juros, comércio internacional, carga tributária, infra-estrutura e estabilidade política. Com uma ponderação maior, foram computados fatores como disponibilidade de recursos naturais, produtividade, marco legal e custo das transações florestais no país, tamanho do mercado potencial, subsídios, pesquisa, educação e capacitação de mão-de-obra.
O Brasil, segundo o estudo, garantiu o primeiro lugar em função principalmente do desempenho na categoria intra-setorial, que abrange a vocação florestal, a estrutura econômica e social, além do tamanho do mercado interno de cada País. Pesaram contra o País, no entanto, questões supra-setoriais, como os níveis de crescimento do PIB, taxa de câmbio e elevada carga tributária. Nessa categoria o Brasil ficou em 22o lugar. No conjunto de fatores intersetoriais, como infra-estrutura, segurança jurídica, regulação e política ambiental, o Brasil ficou na 16o posição. "O que revela que se o Brasil não desenvolver uma política clara para o desenvolvimento florestal nos próximos anos ele corre o risco de perder a liderança para outro país", disse Marco Tuoto, gerente da área de planejamento e controle de operações da consultoria com sede em Curitiba contratada pelo BID para elaborar o estudo
Entre os principais entraves, segundo Tuoto, estão os custos de transações das operações florestais e a demora na definição de uma legislação sobre a entrada de capital estrangeiro no setor.
A pesquisa, que tomou como base os dados de 2002, deverá ser repetida a cada dois anos. Segundo Tuoto, dos US$ 60 bilhões aplicados diretamente no setor de base florestal em todo o mundo por ano, a América Latina fica com US$ 5 bilhões. Desse total, predominam os investimentos nacionais, com 75%. Os recursos estrangeiros ficam com 25% e são liderados principalmente pelo Chile, pela Finlândia e pelos Estados Unidos. O estudo aponta uma forte concentração dos investimentos do setor nos países que compõem o Cone Sul, com destaque para Brasil, Uruguai e Chile.
O Brasil também lidera em recursos programados, com um total de US$ 20 bilhões até 2014 (US$ 14 bilhões para os segmentos de papel e celulose e US$ 6 bilhões para o setor de madeira), com destaque para a região sul. O Chile fica em segundo, com US$ 4 bilhões e o Uruguai vem em seguida com mais US$ 2 bilhões. "Há um sinal claro de deslocamento geográfico desses investimentos, antes dispersos entre vários países, para essa região", afirmou Tuoto.
Segundo ele, essa nova distribuição dos investimentos deve-se principalmente à existência de terras adequadas ao plantio, ao bom volume de florestas plantadas e às boas condições de aplicação de leis e segurança jurídica para o investidor.
A participação do Brasil vem crescendo de maneira expressiva. No início da década de 90, a presença brasileira no comércio internacional de produtos florestais não ultrapassava 2%. Hoje está em 4%. Fora da América Latina, Rússia, China e Índia são hoje os principais rivais do Brasil na atração de investimentos, segundo Tuoto.
"Em potencial florestal, somente a Rússia pode fazer frente, mas tanto China quanto Índia estabeleceram programas de apoio ao desenvolvimento de florestas plantadas", disse. Além do ranking, o levantamento do BID oferece um mecanismo pela internet que possibilita fazer simulações de projetos."Os governos, por exemplo, podem verificar o impacto de ações em cada área sobre a pontuação final e assim elaborar planos de desenvolvimento", afirmou Tuoto. De acordo com a diagnóstico, Haiti, Equador, Guatemala, Belize e Paraguai são os países que obtiveram as menores pontuações e com os maiores desafios a serem vencidos. Para José Rente Nascimento, especialista sênior do BID em recursos naturais, o manejo sustentável dos recursos florestais está intimamente ligado ao êxito da exploração comercial das florestas. "Para ser sustentável, a exploração comercial das florestas precisa maximizar o retorno financeiro e ao mesmo tempo satisfazer critérios de viabilidade social e ambiental", afirmou.

GM, 24-26/06/2005, Industria, p. C2

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