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Brasil é modelo mundial, diz Clinton

OESP, Economia, p. B7
01 de Mai de 2007

Brasil é modelo mundial, diz Clinton
Ex-presidente americano diz que outros países querem copiar etanol brasileiro e apóia o pleito do Brasil na ONU

Patrícia Campos Mello

Sete governadores brasileiros compareceram ontem ao Fórum de Desenvolvimento Sustentável para discutir etanol, biodiesel e outras fontes alternativas de energia. O ex-presidente americano Bill Clinton discursou durante o almoço e foi aplaudido entusiasticamente ao defender a inclusão do Brasil em um Conselho de Segurança da Organizações das Nações Unidas (ONU) ampliado. "O Conselho de Segurança deveria ser expandido e Japão, Índia, União Européia e o Brasil na América Latina deveriam ganhar um assento permanente." Clinton afirmou que, hoje, há mais pessoas olhando para o Brasil como modelo até do que para os Estados Unidos. "Há muitos países pensando: eu quero ser o Brasil."

Já o ex-presidente americano George H. W. Bush brindou os participantes no encerramento do evento com um inusitado discurso no qual ressaltou suas dúvidas sobre a veracidade do aquecimento global. "Aquecimento global virou causa célebre de Hollywood, se você não adota um órfão no exterior, você precisa falar sobre aquecimento global", disse Bush, pai do atual presidente americano George W. Bush, que também demonstra ceticismo em relação aos efeitos da elevação da temperatura mundial. "Até que tenhamos mais provas sobre os efeitos do aquecimento global, acho preocupante qualquer país adotar políticas que podem ter impactos sobre as pessoas."

Bush também criticou o Protocolo de Kyoto por não incluir China e Índia nas propostas de redução de emissões de gás carbônico, e tentou tranqüilizar produtores de petróleo, entre eles seu amigo pessoal que estava na platéia, o xeque Salman Khalifa al-Khalifa, presidente do conselho da Bahrain Petroleum, que produz 6,5 milhões de barris de petróleo por dia (equivalente a mais de três Petrobrás). "Algumas pessoas aqui neste país cometeram um erro, dando a impressão para os países produtores de petróleo de que queremos eliminar o consumo de petróleo - isso é uma estupidez, dada a demanda mundial por petróleo."

Bush encerrou o evento organizado pelo empresário Mário Garnero, que contou com a participação de cerca de 150 pessoas, entre elas o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e sete governadores, como os de Minas, Aécio Neves, do Rio, Sérgio Cabral, de Mato Grosso, Blairo Maggi, além do presidente do PMDB, Michel Temer, e do ex-presidente José Sarney. "Todas as conferências ambientais são difíceis para os republicanos, achei que o ex-presidente Bush nem viria", contemporizou Aécio Neves.

No discurso do almoço, Clinton elogiou a experiência brasileira com etanol e afirmou que o etanol de cana é o melhor do mundo. "Se você olhar para a experiência brasileira com etanol de cana, com US$ 5 bilhões em subsídios foram criados 1 milhão de empregos rurais." Sobre o Brasil como modelo internacional, ele mencionou: "Estive com o primeiro-ministro da Etiópia outro dia, e ele disse: 'Eu quero ser o Brasil da África. Nós podemos produzir cana-de-açúcar igualzinho ao Brasil'."

Segundo o ex-presidente Clinton, a desigualdade social é um enorme desafio e explica a popularidade do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a eleição do presidente da Bolívia, Evo Morales. "Se eu fosse alguém na Bolívia, eu obviamente teria votado em Evo Morales, independentemente de suas políticas."

SUPERÁVIT

Durante a sessão de encerramento do fórum, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que a redução do superávit primário de março não compromete o resultado fiscal do ano. O superávit primário de março foi de R$ 7,138 bilhões, quase 50% abaixo do resultado do mesmo mês em 2006.

"Temos uma meta de superávit para o ano, e não há nenhum problema que ameace o cumprimento desse superávit", disse Bernardo. "Aliás, temos sofrido críticas porque não temos conseguido avançar nos projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), isto é, poderíamos ter feito um superávit até menor se tivéssemos conseguido avançar nos projetos." Segundo o ministro, o superávit está acima da média mensal, mas o governo quer gradativamente, até o fim do ano, chegar na meta programada.

BIOCOMBUSTÍVEIS

Organizado pela Associação das Nações Unidas Brasil (Anubra), o Fórum de Desenvolvimento Sustentável reuniu políticos, empresários e especialistas em economia e meio ambiente para discutir o uso racional dos recursos naturais e medidas para combater o efeito estufa e o aquecimento global.

Durante o encontro, a secretária de Estado adjunta dos Estados Unidos, Paula Dobriansky, afirmou que reduzir os custos de produção, diminuir o uso de terras e minimizar as pressões sobre os preços dos alimentos são medidas essenciais para o sucesso do mercado de biocombustíveis.

Os Estados Unidos vêm enfrentando uma elevação do preço do milho e nos valores de terras cultiváveis, por causa da produção de etanol. A versão americana do biocombustível é produzida a partir do milho. Com a crescente demanda, aumentou também a quantidade de terras necessárias para cultivar milho.

A subsecretária afirmou que também serão necessárias medidas para impedir o desmatamento de terras para a produção de biocombustíveis. "É importante incorporar o manejo sustentável de terras na parceria Brasil-Estados Unidos biocombustíveis", ressaltou.

Ela pediu que o Brasil assine com os Estados Unidos o tratado de conservação de florestas tropicais. O projeto foi criado pelo governo americano em 1998 e oferece a países em desenvolvimento o perdão de dívidas com os Estados Unidos e a geração de fundos para preservação ambiental.

O programa é implantado por meio de acordos bilaterais. Entre as nações latino-americanas que já foram beneficiadas pelo tratado estão Peru, Colômbia, Paraguai e Panamá. De acordo com o Departamento de Estado americano, o tratado de conservação de florestas tropicais é capaz de gerar até US$ 60 milhões (cerca de R$ 120 milhões) em iniciativas voltadas para a preservação ambiental.

AMAZONAS

O governador do Amazonas, Eduardo Braga, disse que investimentos estrangeiros na conservação da Amazônia são bem-vindos, desde que corretamente direcionados. "Não queremos estrangeiros comprando pedaços da Amazônia para preservar. Não é assim que funciona", ponderou.

OESP, 01/05/2007, Economia, p. B7

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