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Brasil e EUA debatem acordo climático

O Globo, Ciência, p. 28
05 de Ago de 2009

Brasil e EUA debatem acordo climático
Minc negocia com representante americano formas de reduzir emissões

Catarina Alencastro

Os Estados Unidos e o Brasil começaram ontem a costurar um acordo bilateral para combater o aquecimento global. Quem revelou a conversa foi o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, depois de receber o enviado especial para mudanças climáticas dos EUA, Todd Stern.

A combinação já tem seus principais pontos definidos: alternativas para preservar a Amazônia, fundos de financiamento para projetos no Brasil e parcerias em tecnologias de baixas emissões de gás carbônico.

O acordo seguirá os mesmos moldes do que foi fechado na última semana entre americanos e chineses, os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do planeta. Embora não estabeleça metas numéricas, o memorando assinado pelos dois países lista dez áreas de cooperação para que a China inicie sua transição para uma economia menos poluente.

- Eu perguntei ao Stern se ele tinha problema de aprovar, assim como aprovou com a China, um acordo bilateral importante. E ele manifestou que tem vontade de fazer com o Brasil um muito mais avançado - disse Minc.

Representante britânico também é recebido
O encontro para acertar os termos dessa parceria deverá ocorrer em setembro, no Brasil. O enviado especial americano se disse otimista.

- Eu tenho grandes expectativas para uma cooperação entre o Brasil e os EUA - resumiu Todd Stern, ao sair do gabinete de Minc.

Stern foi o segundo negociador internacional sobre mudanças climáticas que o ministro do Meio Ambiente brasileiro recebeu ontem. Pela manhã, Minc esteve com o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Ed Miliband. Os dois estrangeiros teriam cobrado do Brasil o comprometimento com metas de redução a serem apresentadas na XV Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, em Copenhague.

O Brasil não está disposto a se responsabilizar com metas de redução, argumentando que já tem um plano nacional com metas internas de diminuição do desmatamento e que cabe aos países desenvolvidos arcarem com um ônus maior.

- Eles nem cumpriram as metas deles. No caso dos EUA, nem assinaram o Protocolo de Kioto e estão exigindo da gente uma coisa mais avançada - afirmou Minc, completando que "a bola está com eles".

O governo brasileiro foi cobrado por uma posição de líder dos emergentes. Para o ministro inglês, o Brasil "tem um papel crucial a desempenhar".

O Reino Unido está comprometido com reduções de 34% de suas emissões até 2020 e promete investir US$ 100 bilhões num fundo para financiar projetos verdes em países em desenvolvimento.

- O que é feito na floresta tropical tem um impacto em Brighton (na Inglaterra). As responsabilidades são as mesmas.

Os países em desenvolvimento terão que dizer o que eles estão preparados a fazer até 2020 - defendeu Ed Miliband

Imposto para o carbono
Combate ao aquecimento em pauta

Fábio Fabrini

Lester Brown, um dos pioneiros do movimento ambiental e presidente do Earth Policy Institute, criticou ontem o mecanismo de crédito de carbonos que, segundo ele, tem se mostrado ineficiente para resolver questões ligadas ao aquecimento global. Brown, um dos fundadores do Worldwatch Institute, propôs o aumento progressivo de impostos para frear a atividade da indústria do carbono.

- Se, até 2020, essa indústria for gradualmente sobretaxada, o consumidor, na mesma velocidade, trocará os produtos dela por outros, cuja produção seja com energia limpa. Ao mesmo tempo, o setor seria obrigado a buscar processos menos agressivos - afirmou o veterano ambientalista durante o lançamento da Campanha de Liderança Climática 2020, movimento cujo objetivo é discutir formas de antecipar em 30 anos as metas para reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento global.

Os líderes das maiores potências poluidoras do mundo marcaram para dezembro, em Copenhague, a assinatura de compromissos para que, em 2050, o mundo jogue 80% menos dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Mas parte a comunidade científica avisa que, mantida a data, não será possível evitar uma catástrofe ambiental.

O Globo, 05/08/2009, Ciência, p. 28

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