O Globo, Ciencia, p. 39
31 de Ago de 2007
Brasil diz que não negocia emissões
Governo rejeita proposta alemã sobre cálculo para redução de CO2
Graça Magalhães-Ruether
O Brasil vai recusar a proposta apresentada ontem pela chanceler federal alemã Angela Merkel de um cálculo per capita das emissões de gases-estufa dos países emergentes. José Domingos Miguez, chefe da delegação brasileira que participa da reunião preparatória para a cúpula da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Viena, disse que a posição defendida nas negociações para a redução das emissões dos gases do efeito de estufa destaca a responsabilidade histórica dos países ricos.
Na véspera, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia dito que o Brasil teria uma posição menos defensiva nas questões relacionadas ao aquecimento global. Nas negociações internacionais, as áreas diplomática e ambiental do governo estariam instruídas a assumir compromissos mais ambiciosos, como a adoção de metas internas para reduzir os níveis de emissão de carbono.
A chefe do governo alemão, que detêm este ano a presidência rotativa do G-8, apresentou a proposta do "cálculo per capita" com o objetivo de incluir os países emergentes (grupo do qual o Brasil faz parte) num compromisso de redução das emissões.
Segundo ela, os países em desenvolvimento poderiam aumentar as emissões até atingir o nível dos países desenvolvidos. Depois disso precisariam reduzir em proporção igual.
Na última cúpula do G-8, realizada na Alemanha, em junho, não houve consenso entre países industrializados e emergentes sobre a inclusão dos últimos no compromisso de redução das emissões. Essa questão será chave nas discussões dos países signatários do Acordo de Kioto. Essa negociação deverá ser concluída até 2009.
De acordo com Domingos Miguez, a posição brasileira é respaldada pela maioria dos estudos internacionais sobre o clima. Eles indicam que o aquecimento global foi causado pelas emissões de CO2 ocorridas a partir da Revolução Industrial.
- O Brasil não pode assumir um compromisso desses porque só começou a sua industrialização nos anos 50. Para se ter uma idéia, as emissões do Brasil de 1960 eram iguais às dos Estados Unidos em 1860 - disse.
Na reunião desta semana, da qual participaram cerca de mil especialistas de mais de 150 países, foram traçadas também as metas para a próxima reunião da Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, em Bali, Indonésia, em dezembro, quando serão negociadas as reduções das emissões globais depois de 2012.
Para o secretário-executivo da reunião de Viena, Yvo de Boer, o Acordo de Kioto, assinado em 1997 e ratificado cinco anos mais tarde por 175 países, é apenas o primeiro passo para a redução das emissões.
- Nós sempre soubemos que Kioto seria um primeiro passo na negociação sobre o clima. O trabalho feito aqui cria bases para alvos mais ambiciosos para um regime de mudança climática pós-2012.
No documento final, que será divulgado hoje, os países desenvolvidos comprometemse a uma redução entre 25% e 40% até o ano de 2020. Os EUA, que não ratificaram Kioto, mas participaram da reunião de Viena, não assinaram o compromisso.
O Globo, 31/08/2007, Ciencia, p. 39
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