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Brasil defende acordo que imponha obrigações

Valor Econômico, Internacional, p. A11
01 de Dez de 2015

Brasil defende acordo que imponha obrigações

Por Assis Moreira

A presidente Dilma Rousseff defendeu que o acordo global do clima seja legalmente vinculante e não a simples soma das melhores intenções de todos.
Em seu discurso na Conferência da ONU sobre o clima, em Paris, a presidente brasileira sinalizou que a resposta conjunta da comunidade internacional só será eficaz se for justa.
A presidente deixou claro que o Brasil vem experimentado "mudanças drásticas" no clima, enfrentando secas no Nordeste e chuvas e inundações em outras partes do país. "O El Niño tem nos golpeado com força", exemplificou a presidente.
Dilma Rousseff se referiu, diante da comunidade internacional, também ao rompimento da barragem da Samarco que provocou mortes e desaparecimentos e vem sendo considerada a maior catástrofe ambiental brasileira. Disse que a tragédia de Mariana foi causada pela "ação irresponsável de uma empresa", acrescentando que "estamos reagindo ao desastre". Disse que o governo está "punindo severamente os responsáveis".
Indagada mais tarde por jornalistas se outras punições seriam adotadas contra as empresas, Dilma observou que o eventual estrago sobre o mar ainda precisará ser mensurado.
Em seu discurso na Conferência do Clima, a presidente brasileira insistiu que ações de mitigação de gases de efeito-estufa devem ser acompanhadas de ações de adaptação. Para ela, o financiamento, a transferência de tecnologia e capacitação devem ser assegurados aos países em desenvolvimento.
A presidente brasileira voltou a advertir que "o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, é a pedra angular do acordo". E explicou: "Temos que levar em conta que cada país tem suas características".
"Outra questão para nós fundamental é a energia. A descarbonização é extremamente difícil na área de energia. Acredito que a grande possibilidade de descarbonizar o mundo está na energia solar, de biomassa e também das hidrelétricas", continuou, "para não cair nos braços do carvão, do óleo diesel e do gás".
"É importante que tenhamos o acordo de Paris", disse. "Que seja justo e que olhe as diferenças entre países em desenvolvimento e desenvolvidos", prosseguiu. "A emissão de gases-estufa é cumulativa, não acontece a partir de hoje."
Dilma definiu ainda que o acordo de Paris tem que ser ambicioso e, com clareza, limitar o aumento da temperatura a 2o C neste século. "Melhor seria se fosse menos", reforçou, em referência indireta a 1,5o C, a demanda das pequenas ilhas.
A presidente defendeu decisões inequívocas para a implementação do acordo. E ressaltou a necessidade do acordo de Paris ter um mecanismo de revisão de metas a cada cinco anos.
Diante da comunidade internacional, a presidente brasileira disse que o desmatamento na Amazônia caiu cerca de 80% e que o Brasil implementou a agricultura de baixo carbono. Lembrou a meta brasileira de redução de emissões em 43% até 2030. E lembrou que o desafio agora é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. Também prometeu que o país vai aumentar o uso de energias renováveis.
Ela disse ainda que o Brasil está no caminho de descarbonizar a economia, com redução da pobreza e aumento do trabalho decente.

Valor Econômico, 01/12/2015, Internacional, p. A11

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