O Globo, Ciência, p. 28
04 de Set de 2007
Brasil apóia criação de agência ambiental
Ligado à ONU, novo órgão daria destaque ao desenvolvimento sustentável
Carlos Albuquerque
O Brasil reforçou o seu apoio à proposta francesa de criação de uma agência, ligada à ONU, que possa tratar exclusivamente das questões ambientais. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tal organismo não implicaria o esvaziamento de outras instituições semelhantes, como o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
- Há novas dimensões sobre esse tema que não estão sendo alcançadas pelas instituições que temos - declarou o ministro, durante a Reunião Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que acontece até hoje, no Rio, com a presença de representantes de 22 países. - Essa agência funcionaria como um guarda-chuvas, abrigando as relações ambientais, econômicas e sociais, que compõem o conceito de desenvolvimento sustentável.
Também presente à reunião, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que a idéia da criação dessa nova agência surgiu da necessidade de unificar o debate sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Para a ministra, a estrutura das Nações Unidas foi pensada quando não havia a noção da importância do meio ambiente
- Por vezes, nossos esforços se dispersam nos diversos foros que tratam desse tema. É embaraçoso justificar por que existem tantos organismos ambientais e, ao mesmo tempo, constatarmos os alarmantes indicadores de degradação ambiental do planeta.
Para ministro, embate entre países ricos e pobres é exagerado
Marina deu como exemplo de unificação bem sucedida a redução do desmatamento no Brasil, causada, segundo ela, pelo trabalho conjunto de todo o governo e não apenas do ministério do Meio Ambiente.
- Esse avanço ocorreu graças a um debate interno entre os diversos setores do governo, especialmente nos projetos de desenvolvimento - explicou a ministra. - Trabalhar de maneira transversal é muito mais complexo, mas, por outro lado, as soluções encontradas têm mais legitimidade.
O ministro das Relações Exteriores afirmou que é exagerado o embate entre países ricos e pobres sobre a questão ambiental - refletido na pressão dos EUA e Europa para que as nações em desenvolvimento também assumam suas responsabilidades na redução de emissões de CO2. Segundo o Acordo de Kioto, apenas as nações ricas têm metas de redução a cumprir para controlar o aquecimento global.
- Essa é uma falsa polarização. Todos queremos nos desenvolver. O planeta é um só - lembrou Amorim. - O Brasil não vai fugir de suas responsabilidades. Vamos fazer a nossa parte e cobrar para que todos façam a sua parte também.
O Globo,04/09/2007, Ciência, p. 28
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