Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
01 de Abr de 2004
Uma agência de notícia espanhola, a Efe, distribuiu ontem um "alerta" do Grupo de Trabalho Amazônico -GTA -que só em Roraima congrega quase 50 Ongs-, contra o plantio de acácia magiuns no Estado. Dentre as várias afirmações -nenhuma provada ou sustentada cientificamente-, está a de que aquela espécie de planta australiana consome muita água e por isso vai secar o lençol freático, "prejudicando as comunidades indígenas", como diz o jornalista André Vasconcelos, porta-voz do Conselho Indígena de Roraima.
O "alerta" diz ainda que o plantio de soja (ainda engatinha por aqui), de acácia (ainda embrionária), além da pecuária (estagnada faz anos) exercem forte impacto em ecossistemas frágeis, como o dos cerrados (na verdade só temos lavrados) e da Selva Amazônica. São afirmações fortes, que espalhadas pelo mundo fortalecem a idéia de que os mais de 300 mil habitantes de Roraima não passam de um bando de destruidores da natureza amazônica, que é afinal, como dizem os gringos com apoio dos maus brasileiros, um patrimônio da humanidade.
O GTA diz ainda que esses projetos que se ensaiam começar em Roraima - inclusive a fabricação de pasta de celulose-, são geradores de miséria e violência, o que contraria frontalmente os resultados espalhados pelo interior desse Brasil, onde o florescer do agro-negócio tem transformado muitos municípios em paraíso para milhares de desempregados.
Não é de espantar a iniciativa do GTA de buscar a imprensa internacional para denunciar a "destruição" da Amazônia. É consenso mundial a idéia de que as Ongs não têm preocupação com a verdade, visam apenas impor suas versões, muitas vezes alarmistas, outras mentirosas. Esse "alerta" espalhado pela agência de notícia espanhola é apenas uma demonstração do que teremos que enfrentar para ter o direito de viver com dignidade e trabalho.
ELOGIOS
Os deputados Berinho Bantim (PSL) e Aírton Cascavel (PPS), ambos estudantes de direito, elogiaram o Congresso de Direito Amazônico, organizado pela Associação Brasileira de Letras Agrárias. Eles dizem que o evento está contribuindo para que os graves problemas de Roraima sejam conhecidos de forma correta por importantes juristas do meio agrário do Brasil e de vários países.
NÃO LEU
O deputado federal Lindberg Farias(PT-RJ) não leu ontem, seu relatório sobre a Comissão Externa da Câmara, criada para estudar a demarcação da Raposa/Serra do Sol. Como Farias entregou o relatório quase na hora da reunião da Comissão, os deputados decidiram requisitar uma cópia para cada um estudá-lo melhor, deixando a votação para a próxima semana.
SERÁ APROVADO
De Brasília, por telefone, o deputado federal Pastor Frankemberg (PTB), disse à coluna que o relatório do deputado Lindberg Farias segue na linha do que já foi divulgado pela imprensa, e que será aprovado na próxima semana. "A maioria da Comissão é flagrantemente inclinada a aprovar o relatório do Lindberg", disse.
MANOBRA
Ontem, a deputada federal Socorro Almeida (PC do B), do Acre, armou uma manobra para na última hora tentar mudar o parecer do deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ), sobre o imbróglio Raposa/Serra do Sol. A parlamentar acreana disse que não adiantava aquele relatório, pois tivera notícia de que o governador Flamarion Portela (PT) já havia negociado com o Planalto: em troca de dinheiro para o Estado aceitara a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua.
VIROU MODA
Não é a primeira vez que um parlamentar acreano tenta influenciar a decisão sobre a Raposa/Serra do Sol, utilizando o governador Flamarion Portela (PT). Quando veio a Boa Vista, o senador Sibá Machado (PT), outro acreano, foi numa reunião do Conselho Indígena de Roraima -CIR para dizer que Flamarion concordava com a demarcação em área contínua. Desmentido pelo Palácio Hélio Campos, com cara de Amélia, teve de dizer que foi mal entendido.
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