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Bolívia não tem gás suficiente para cumprir todos os contratos assinados

O Globo, Economia, p. 42
24 de set de 2006

Bolívia não tem gás suficiente para cumprir todos os contratos assinados
Já falta combustível para termelétricas e país rate recorde de consumo

Ramona Ordoñez

A Bolívia não tem todo o gás natural que se comprometeu, por contratos, a vender para o Brasil e a Argentina. O consultor Marco Tavares, diretor da Gás Energy, explica que os contratos prevêem a venda total de 41 milhões de metros cúbicos por dia de gás. Segundo o executivo, contudo, no próximo ano a disponibilidade máxima de gás boliviano para o mercado externo é de 34 milhões de metros cúbicos diários.

Para o Brasil, o volume chega a 33 milhões de metros cúbicos por dia - considerando o contrato de 30 milhões com a Petrobras, mais três milhões para a usina termelétrica de Cuiabá e a BG/Comgás, de São Paulo. Para a Argentina, o contrato é de 7,7 milhões de metros cúbicos diários.

- A Bolívia não tem gás suficiente para cumprir os contratos integralmente, se for preciso - frisa Tavares.

O governo federal concorda com especialistas e empresários quando dizem que a oferta de gás está justa até 2008 ou 2009.

Já está faltando gás para mover as termelétricas, afirma o diretor da Gás Energy. Há duas semanas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) solicitou a geração de quatro mil megawatts (MW) de termelétricas, mas só foram gerados 1.600 MW, por não haver disponibilidade de gás.

O Brasil está consumindo o máximo que pode. Basta lembrar que, na semana passada, foi batido o recorde de uso de gás boliviano: pela primeira vez, houve consumo de 30,4 milhões de metros cúbicos por dia, o limite máximo do gasoduto Bolívia-Brasil.

- O ONS pediu a operação de termelétricas para poupar os reservatórios das usinas hidrelétricas e evitar que sejam muito reduzidos. O governo não pode continuar dizendo que está tudo cor-de-rosa, senão o país vai ter problemas lá adiante, para 2008, 2009, 2010, como aconteceu com o racionamento de 2001 - diz Tavares.

Petrobras prevê oferecer mais gás às termelétricas
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Fhjan) também alerta para os riscos de uma crise de energia.

Segundo Adilson de Oliveira, professor do Instituto de Economia da UFRJ e consultor da entidade, é preciso aumentar a geração de energia pelas termelétricas a gás para poupar os reservatórios das hidrelétricas. No Sudeste, por exemplo, os reservatórios estão com 52% de sua capacidade.

O país vai continuar vivendo com oferta limitada de gás pelo menos até 2008 ou 2009, quando devem entrar em operação os projetos de expansão da oferta interna em desenvolvimento pela Petrobras. A estatal pretende aumentar em 24 milhões de metros cúbicos por dia a oferta de gás, que hoje é de 25 milhões. A partir de 2009, a produção de gás natural da Petrobras permitirá uma oferta de mais 20 milhões de metros cúbicos diários apenas para as termelétricas.

O Globo, 24/09/2006, Economia, p. 42

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