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Boi Pirata: 50 mil cabeças na mira do Ibama

CB, Brasil, p. 11
25 de jun de 2008

Boi Pirata: 50 mil cabeças na mira do Ibama

Hércules Barros
Da equipe do Correio

Dez mil cabeças de gado em Rondônia estão na mira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Cinqüenta fiscais do órgão se deslocaram ontem para uma área de 14 mil hectares desmatada sem autorização ambiental. A ação faz parte da operação Boi Pirata deflagrada pelo Ministério do Meio Ambiente no início do mês e visa retirar rebanhos criados de forma irregular em áreas de preservação da Amazônia Legal. O Ibama também está de olho em 40 mil reses que estão dentro da estação ecológica Terra do Meio, no Pará, além de investigar irregularidades em 15 planos de manejo na Amazônia Legal.

"Acabou a moleza. Boi pirata vai virar churrasco do Fome Zero", afirmou o ministro Carlos Minc. Segundo o ministro, o governo deve assinar decreto nas próximas semanas para definir como será o leilão de 3,1 mil cabeças de gado apreendidas no início do mês na Terra do Meio, no Pará. Os bois, de propriedade de Lourival Medrado Novaes dos Santos, da Fazenda Lourilândia, passaram a ter o Ibama como fiel depositário. "A pecuária é responsável por 80% do desmatamento ilegal da Amazônia. Não queremos estigmatizar o agronegócio, mas separar e combater a ilegalidade", disse Minc.

De acordo com o coordenador geral de fiscalização do Ibama, Luciano de Menezes Evaristo, os animais irregulares em Rondônia pertencem ao pecuarista Jair Roberto Simonato. "Ele (Simonato) está na lista dos 150 maiores desmatadores", adiantou. A fazenda do pecuarista fica no município de Costa Marques, fronteira do Brasil com a Bolívia. Segundo Menezes, Simonato é reincidente no crime ambiental e já chegou a ser preso. De acordo com o coordenador do Ibama, o fazendeiro foi multado duas vezes em R$ 6 milhões, em 2005, mas até hoje não pagou as infrações. Como sua fazenda não está em área de preservação, o pecuarista tem 15 dias, a contar de ontem, para retirar o rebanho da área, caso contrário os 10 mil bois serão apreendidos.

No Amazonas, 86 frigoríficos foram notificados e têm 60 dias para dar ao Ibama os nomes de seus fornecedores de bovinos. "Os grandes frigoríficos são favoráveis a isso. Vamos juntos assinar um termo de compromisso quinta-feira (amanhã)", destacou o ministro. Minc descarta que a medida possa gerar desabastecimento, nem aumento no preço do produto. "O problema da carne são condições sanitárias boas para exportar", diz.

No município de Labrea (AM), uma área de 16 milhões de hectares, com licença ambiental para retirar 40 mil hectares de floresta, está intacta. Apesar da preservação, o Ibama detectou a emissão de 181 Documentos de Origem Florestal (DOF) como se tivesse ocorrido o manejo no local. "A irregularidade está sob investigação. A autorização foi utilizada para encobrir o desmate ilegal de 7,4 mil metros cúbicos em outra área", explicou o ministro.

CB, 25/06/2008, Brasil, p. 11

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