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BNDES prepara crédito especial para Belo Monte

OESP, Economia, p. B6
01 de Abr de 2010

BNDES prepara crédito especial para Belo Monte
Oferta de financiamento mais vantajoso para construção da usina tentará compensar decisão de manter inalterado o edital

Irany Tereza
Leonardo Goy

O governo pretende fazer do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o instrumento garantidor da disputa no leilão da usina de Belo Monte. A oferta de um financiamento mais vantajoso tentará compensar a decisão de manter inalterado o edital de licitação.
Ontem, na cerimônia de posse como ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann jogou um balde de água fria na expectativa das empresas de mudança nas regras. "A avaliação indica que não há necessidade de mudanças no edital", disse o ex-secretário executivo, substituto de Edison Lobão no ministério.
A diretoria do BNDES estuda melhorar as condições de financiamento para atrair mais candidatos e garantir manutenção da tarifa mais baixa possível. O financiamento de Belo Monte pode chegar a mais de 70% do custo de R$ 19 bilhões da obra.
Entre as mudanças, porém, a que desponta como mais certa é a extensão do prazo do empréstimo. As usinas do Rio Madeira receberam financiamentos com prazo de 25 anos para pagamento. Para a hidrelétrica do Xingu esse período pode ser ampliado em até 5 anos. A participação do banco também deve ser maior do que a acertada para Santo Antonio (65,7%) e Jirau (68,5%), as duas hidrelétricas de Rondônia.
Mas não muito além. O limite de exposição do banco em um único projeto não pode exceder 25% de seu patrimônio de referência. De acordo com o balanço de 2009, este patrimônio somava R$ 54 bilhões em dezembro.
Adiado. A Eletrobrás teve de prorrogar até 7 de abril as inscrições das empresas interessadas na licitação, cujo prazo terminaria na terça-feira passada. Apenas um consórcio se apresentou.
As empresas estavam pedindo alterações que exigiam mudança no edital, como a elevação de 20% para 30% da fatia de energia negociada no mercado livre. Outra que, segundo as empresas, não exigiria alterações seria a aplicação de correção monetária, retroativa a 2008, para aumentar o preço-teto da energia da usina, fixado em R$ 83 por megawatt/hora. Zimmermann, entretanto, afastou tanto essa hipótese quanto a adoção de mecanismos de proteção contra variações de preço da energia nos diferentes submercados.
Apesar da prorrogação das inscrições, o governo manteve o leilão para 20 de abril. Ontem, na posse dos novos ministros, que substituíram candidatos às eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se confiante: "Finalmente, vamos fazer o leilão e oferecer energia com fartura mais barata ao povo brasileiro", disse, depois de elogiar Carlos Minc, que deixou o Ministério do Meio Ambiente.
Zimmermann também preferiu desconsiderar desistências. "A expectativa é positiva para termos três consórcios." Por enquanto, apenas dois manifestaram interesse na disputa: o formado por Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia e Votorantim e outro liderado por Camargo Corrêa e Odebrecht.

OESP, 01/04/2010, Economia, p. B6

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