VOLTAR

BNDES estuda modelo de concessão de florestas na Amazônia

OESP, Economia, p. B5
27 de Ago de 2020

BNDES estuda modelo de concessão de florestas na Amazônia

Instituição de fomento está avaliando projetos similares no mundo e identificando potenciais investidores; ideia é apresentar o modelo no ano que vem

Cristian Favaro e André Vieira, O Estado de S.Paulo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda um modelo para a concessão de florestas na Amazônia ao setor privado. O objetivo da instituição é chegar a uma modelagem que preveja o desenvolvimento da região com a preservação ambiental.

"Será que a única forma de fazer o valor emergir (de uma floresta) é através do manejo? Será que manter uma floresta de pé traz dividendos reputacionais pelos quais alguém pagaria?", questiona o diretor de infraestrutura, concessões e PPPs do BNDES, Fábio Almeida Abrahão, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Os estudos do BNDES contemplam também a concessão de parques e jardins botânicos públicos à iniciativa privada. "Imagina o Ibirapuera (concedido à iniciativa privada em 2019), ou algumas praças de São Paulo. A praça foi privatizada? Não foi. Ninguém colocou uma cerca falando que as pessoas não vão poder entrar. Será uma concessão", afirma sobre ideias do modelo em gestação no BNDES.

O BNDES tem cerca de 1 milhão de hectares concedidos com foco no manejo. "Só nossa carteira tem mais de 2 milhões de hectares. É um crescimento bastante expressivo", afirma.

Abrahão diz que a instituição está conversando com diversos bancos multilaterais para coletar modelos de concessão similares no mundo. À mesa estão o GI Hub, do G-20, além do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Segundo o diretor do BNDES, o objetivo hoje é identificar potenciais investidores e desafios legais para avançar com os projetos de concessão. Entre as ideias, ele prevê negociações de créditos de carbono. A ideia do BNDES é apresentar o modelo no ano que vem.

De acordo com Abrahão, o assunto também está sendo discutido no Conselho da Amazônia, liderado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão. O órgão foi criado pelo governo federal para conduzir soluções de preservação da floresta, em meio ao crescimento das críticas ao desmatamento por parte de investidores, fundos estrangeiros, empresas, bancos e entidades nacionais.

Parques como Lençóis Maranhenses (MA), Jericoacoara (CE) e Iguaçu (PR) - que fazem parte do programa nacional de desestatização desde de dezembro - têm vocação mais clara. Segundo Abrahão, no caso de parques e jardins botânicos, é possível extrair valor na concessão por meio de visitação turística. "Sabemos que existe um elemento de gravidade para o ativo ser usado para valor turístico. É claro que, em volta disso, tem a percepção de imagem, mas o núcleo duro é turístico mesmo", diz.

Crédito de Carbono
Uma janela de oportunidade com a concessão de florestas estaria na criação de créditos de carbono. No momento, entretanto, tudo está no campo das ideias. "Do ponto de vista legal, o uso do crédito de carbono precisa ser olhado em detalhes e, se for o caso, propor mudanças (na legislação). Mas é de se imaginar que uma companhia com essa pegada de carbono ajudar na manutenção de uma floresta tem tudo a ver. É um serviço para o Estado e também para a população. De quebra, emerge o valor para contribuir para zerar a emissão de carbono", diz ele.

O mercado de crédito de carbono começou a crescer no mundo e deu seus primeiros passos no Brasil neste ano. Em abril, começaram a ser negociados na B3, a Bolsa de São Paulo, os Créditos de Descarbonização (Cbios), do Programa Renovabio. O instrumento visa a disponibilizar ao produtor de combustíveis fósseis créditos para a redução das suas emissões de gases de efeito estufa com a compra de créditos de produtores de biocombustíveis.

OESP, 27/08/2020, Economia, p. B5

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,bndes-estuda-modelo-de-c…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.