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Bloco europeu adia plano ambiental

OESP, Vida, p. A15
03 de Nov de 2008

Bloco europeu adia plano ambiental
Por causa da crise econômica mundial, países voltam atrás na decisão de reduzir emissões de CO2 até 2012

Jamil Chade, GENEBRA

Os 27 países do bloco europeu decidiram neste fim de semana adiar até 2015 as novas regras pró-clima voltadas a carros fabricados e vendidos na Europa. A decisão foi um reflexo da crise econômica mundial. As montadores recentemente passaram a anunciar fechamento de fábricas no continente e somam prejuízos. A estimativa era de que os investimentos para emitir menos CO2, o principal gás-estufa, seriam equivalentes a 44 bilhões (cerca de R$ 120 bilhões) por ano.

O plano para a redução das emissões havia sido apresentado no fim de 2007. Os gases emitidos pelos carros é um dos principais pontos da meta que pretendia reduzir em 20% as emissões de CO2 na atmosfera até 2020. Também foi proposta uma utilização de 20% de energias renováveis e uma economia de 20% no uso de energia em geral.

O governo francês, que preside o bloco até o fim do ano, terá de chegar a um acordo sobre como será o pacote ambiental da Europa até a reunião da cúpula, dia 12 de dezembro. Nestas seis semanas, Paris terá de convencer indústrias e setores inteiros a aceitar a conta de uma reconversão de todo o sistema de produção.

Em 2013, quem emitir gases-estufa acima de um nível teria de pagar. Países como Polônia e Itália deixaram claro que são contra. Parte do dinheiro reconquistado com o direito de emitir financiará a reconversão de economias mais frágeis da Europa.

No setor automotivo, os negociadores europeus chegaram a um primeiro acordo neste fim de semana. O projeto inicial era a redução de emissões de CO2 até 2012. Em quatro anos, a intenção era chegar a um limite de 120 gramas de CO2 emitido por carro novo a cada quilômetro percorrido.

Atualmente, a média de emissões por cada novo automóvel europeu é de 158 gramas por quilômetro. O Golf, da Volkswagen, um dos mais vendidos na Europa, emite entre 119 to 174 gramas, dependendo do tipo de motor.

O novo acordo, que ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu, prevê que o limite de emissões de CO2 por quilômetro será de 130 gramas em 2015. Em 2012, apenas 60% dos carros de cada montadora teriam de cumprir a meta. Em 2020, as emissões não poderiam passar de 95 gramas.

CRISE

O setor automotivo alega que não tem como pagar pelas inovações tecnológicas num momento de crise. As montadoras negociam ainda um pacote de 40 bilhões (R$ 109 bilhões) em empréstimos .

As vendas de carros despencaram nos últimos dois meses na Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Espanha. E o poderoso setor já conseguiu até mesmo evitar multas ambientais. O acordo obtido agora indica que as montadoras que não cumprirem as metas de cortes de CO2 serão multadas, mas apenas gradativamente. Só mesmo em 2015 é que as penalidades serão impostas com rigor. Mesmo assim, Itália, Reino Unido, Alemanha e Holanda são contra as multas a partir de 2015.

As emissões de CO2 atingiram níveis mais preocupantes que os piores cenários previstos. Dados do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) mostram que crescimento nas emissões é de 3,5% ao ano; a pior estimativa, até então, era de 2,7%.

OESP, 03/11/2008, Vida, p. A15

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