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Bispo do Xingu é premiado por trabalho ambiental

O Liberal - www.oliberal.com.br
10 de set de 2008

O Prêmio Verde das Américas deste ano vai para o religioso natural da Áustria

Perto de completar 69 anos, o bispo prelado do Xingu, dom Erwin Krautler, recebe hoje uma premiação em reconhecimento por seu trabalho em favor da região e dos povos que escolheu para defender. Como defensor dos direitos humanos e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), função que já exerceu entre os anos de 1983 e 1991, ele foi escolhido por lideranças indígenas brasileiras e de vários países para receber o 'Prêmio Verde das Américas 2008'.

'Estou muito grato e feliz. Digo isso com todas as letras porque o prêmio foi outorgado a mim pelas sociedades indígenas. É algo que me comove e me emociona pelo fato delas aceitarem com tanto carinho a nossa luta em favor desses povos, que sobrevivem no Brasil a massacres seculares', diz, emocionado. O 'Prêmio Verde das Américas' é concedido a pessoas e instituições que contribuem para o desenvolvimento e a preservação ambiental do planeta. Em 2006, foi concedido a dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana (MG), na categoria de Direitos Humanos.

A entrega do prêmio ocorrerá na abertura do VIII Encontro Verde das Américas, que acontece de hoje a quinta-feira, 11, no Museu Nacional da República, em Brasília. Participam do encontro, que tem apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), lideranças nacionais e internacionais envolvidas na luta em favor do meio ambiente. Vivendo entre um povoado e outro na região da Transamazônica e do Xingu, ele lamenta não ter tido tempo para ir a Brasília e será representado na premiação por Eden Magalhães, secretário nacional do Cimi.

Dom Erwin lamenta que por sua luta tenha que andar 24 horas escoltado por dois policiais militares. Ameaçado de morte por causa de seu trabalho em favor dos direitos humanos, há quase dois anos o bispo foi incluído pelo Governo do Pará no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

'O prêmio me dá um impulso para continuar na defesa intransigente dos direitos, da dignidade e da cultura desses povos, que têm direito a viver como os primeiros habitantes em suas terras, que é a sua pátria', reforça.

Sobre a indicação, ele diz que sempre defendeu a causa indígena. 'Nunca vacilei porque é uma causa justa e a razão das ameaças que recebo. Quando defendo essa causa, piso no calo de alguém que quer ampliar suas terras e seus negócios', explica. Ele conta que na Constituinte de 1987, ao lado de lideranças indígenas, conseguiu a inscrição dos direitos indígenas na Constituição Brasileira de 1988. Isso representa uma grande vitória na luta comum dos índios e da sociedade civil organizada, mas ainda há problemas graves a serem enfrentados.

'O problema é o salto da letra para a realidade, aplicar e respeitar as leis que nós temos na Constituição em favor dos índios, dos direitos humanos', ressaltou, lembrando que pela Constituição todas as áreas indígenas já deveriam ter sido identificadas, demarcadas e homologadas, mas continuam expostas às invasões e à grilagem.

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