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Bird quer ampliar projetos na Amazônia em combate à pobreza

Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
31 de Mar de 2003

Famílias da ilha de Marajó (PA) estão fornecendo fibra de coco para a Mercedes-Benz fabricar assentos para o Classe A e caminhões e produzindo polpa de açaí para o mercado paulista. Esta é uma das experiências que países integrantes do pacto amazônico apresentaram em Brasília, em um seminário internacional patrocinado pelo Banco Mundial (Bird).

As iniciativas têm em comum o combate à pobreza e o aproveitamento sustentável da biodiversidade da Amazônia.
O presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, discute hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro no Palácio da Alvorada, formas do Bird colaborar com o Progama Fome Zero.

Ele levará, entre as sugestões, iniciativas como a promovida pelo Programa Pobreza e Meio Ambiente da Amazônia(Poema) que gerencia o projeto em Marajó. Em novembro passado, Wolfensohn encantou-se com o projeto e encomendou estudos sobre formas de ampliar as iniciativas sustentáveis para beneficiar um número maior de comunidades na Amazônia.

O Bird financiou estudo sobre a possiblidade de cooperação entre setor privado, organizações não-governamentais e governo brasileiro para projetos sustentáveis que possam ser desenvolvidos em 959 municípios.

"Os povos da Amazônia têm direito de melhorar de vida", defendeu o representante do IFC, setor do Bird que cuida do relacionamento com o setor privado, Wolfgang Bertelsmeier. "Conseguimos transformar lixo em dinheiro", afirma o presidente do Poema, Thomas Mitschein, que defende a conversão desses "núcleos de esperança" em políticas de desenvolvimento regional.

A Natura, presente ao seminário interancional, mostrou que há mercado para produtos fabricados com plantas da Amazônia. Em três anos, a linha Ékos de cosméticos, que utiliza em seus ingredientes copaíba, cumaru, andiroba, cupuaçu e castanhas colhidas por nove comunidades, virou sucesso comercial. Hoje, representa 8% da venda total da Natura.

O vice-presidente da Natura Ekos Internacional, Philippe Pommez, diz que esta empresa 100% nacional, pretende no final do ano iniciar exportações de produtos Ékos para Europa e Estados Unidos. Segundo ele, é possível desenvolver um produto economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo.

Na Bolívia, um dos nove países do pacto amazônico, 400 famílias orientadas pelo Instituto para o Homem, Agricultura e Ecologia (Iphae) estão melhorando a renda com a venda da polpa do cupuaçu. O presidente do Iphae, Oscar Llanque-Espinoza, conta que as famílias também estão aproveitando a pupunha, uma palmeira de alto valor nutritivo, para fazer farinha, bebidas e tortas.

Segundo ele, essas pessoas antes estavam envolvidas com queimadas para plantio de arroz e o projeto ajudou a reduzir à metade a pressão das comunidades sobre a floresta. "Quem tem fome, corta e vende", confirma a pesquisadora da Universidade Federal do Pará, Nazaré Imbiriba. Ela defende a integração de esforços entre o setor privado, ongs e governos - incluindo os estrangeiros - para frear a devastação da maior floresta tropical do planeta.

Nazaré afirma que os projetos precisam aliar preservação da Amazônia à realidade da pobreza. "Nossos governos deveriam dizer: A Amazônia é importante para vocês? Ótimo! Então vocês têm que nos apoiar para que as nossas populações possam utilizar de forma sustentável os recursos da floresta".

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