JB, Internacional, p. A9
06 de Set de 2004
Bioplásticos são solução mundial
Polímeros produzidos por vegetais e bactérias substituem os petroquímicos e não agridem a natureza depois de descartados
Catharina Epprecht
Além de altamente poluentes, devido à baixa degradabilidade, os plásticos têm como matéria-prima o petróleo, um recurso não-renovável e cada vez mais caro. Pesquisadores têm buscado soluções para um mundo que não vive sem esses polímeros. 0 Brasil expande uma planta industrial que cria um bioplástico a partir do açúcar. Nos EUA, um cientista busca parceiros para seu "plástico de milho". E o Reino Unido exporta para o nosso país um aditivo que acelera a degradação do filme plástico, matéria-prima das sacolas de supermercado.
Para resolver dois problemas de uma só vez, a produção destes materiais a partir de vegetais é a melhor solução. E o Brasil é hoje um dos mais avançados centros mundiais em pesquisa na área.
- Estes biopolímeros nem sempre são competitivos porque não têm a escala de produção dos petroquímicos. Em alguns casos, o consumidor tem de estar disposto a pagar mais, sabendo que o produto é biodegradável - explica a bioquímica Luiziana Ferreira da Silva, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e coordenadora de um projeto que obtém plástico a partir do bagaço da cana.
A resina plástica biodegradável se decompõe em cerca de 12 meses, dependendo do tipo e do meio em que se encontra. Decomposta, transforma-se em gás carbônico e água, sem liberar resíduos tóxicos.
Em São Paulo, um projeto piloto que produz plástico a partir de açúcar pretende dobrar sua produção este ano. A indústria exporta para países com leis ambientais severas, como a Alemanha e o Japão. Tanto este projeto como o elaborado por Luiziane utilizam bactérias que se alimentam da sacarose e da xilose (substância do bagaço da cana).
-Ainda existem produções a partir de amido e de polilactatos (derivado do ácido lático), além de outras rotas de fabricação - conta Luiziana. -0 princípio é o mesmo de todos: urna dieta desbalanceada para bactérias que faz com que acumulem açúcar em forma de grânulos - completa, explicando que o mecanismo de armazenamento destas bactérias é similar ao de gordura nas pessoas.
- Estes grânulos são um material polimérico. Eles são retirados das bactérias e, neles, colocam-se aditivos e corantes - diz Luiziana. - Cada tipo de plástico tem utilizações mais indicadas. Ainda não é possível substituir todos os petroquímicos.
E se os brasileiros têm seu bioplástico de açúcar, os americanos pensam no milho. Na busca de uma substituição do petróleo por outras fontes, o engenheiro químico Earl Wagener usou o ácido polilático de um dos grandes produtos agrícolas dos EUA.
- Com a utilização deste material, pode-se diminuir de 10% a 40% a utilização dos petroquímicos no plástico - expõe Wagener, que acaba de ganhar um prêmio dedicado a pequenas empresas inovadoras, oferecido pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA.
Como este tipo de material se dissolve facilmente, tem sido usado em invólucros de pílulas e em suturas.
- 0 produto se desfaz rapidamente depois de descartado. Não fica no lixo facilitando a putrefação, o que diminui a liberação de gases e líquidos tóxicos - argumenta.
Wagener diz que nos EUA começam a surgir leis estaduais que limitam a utilização de petroquímicos nos polímeros.
Baseados em leis ambientais, alguns supermercados da Europa passaram a cobrar pelas sacolas plásticas, para conscientizar as pessoas a reutilizar as suas ou adotar outros tipos de sacola. No Brasil, uma solução para a baixa degradabilidade do filme plástico foi trazida por uma rede de supermercados que importa, do Reino Unido, um aditivo catalisador (acelerador do processo de degradação), que desorganiza a forte cadeia de moléculas que caracteriza um polímero.
0 calor, a luz, a umidade e o estresse do filme dão a partida no processo de degradação. Sob estas condições, em cerca de quatro meses, afirmam os importadores do produto, a sacola estará quebradiça como um papel carbonizado.
0 Brasil produz 210 mil toneladas anuais de plástico filme, segundo a ONG Onda Verde, o que representa 9,7% de todo o lixo do país.
JB, 06/09/2004, Internacional, p. A9
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