OESP, Vida, p. A20
18 de Jul de 2008
Bióloga propõe migração para salvar espécies
Idéia é levar animais para hábitats onde sobrevivam ao aquecimento
AP e Efe, WASHINGTON
Com a mudança climática ameaçando cada vez mais espécies de animais e plantas, cientistas dizem que poderá ser necessário transferir algumas variedades para salvá-las. Chamada de migração ou colonização assistida, a idéia é decidir a severidade das ameaças enfrentadas por diversas espécies, e se elas precisam de socorro.
"Quando mencionei a idéia pela primeira vez, há cerca de dez anos, em reuniões de conservação ambiental, a maioria ficou horrorizada", disse Camille Parmesan, professora de Biologia da Universidade do Texas.
"Mas agora, com a realidade do aquecimento global e as espécies já ameaçadas ou a caminho da extinção por causa da mudança climática, estou vendo uma disposição na comunidade de conservação para, ao menos, falar sobre a possibilidade de ajudar uma espécie, levando-a para outro lugar", afirmou. Camille apresenta detalhes da idéia na edição desta semana da revista Science.
Trata-se de uma proposta que deixa biólogos especializados em conservação nervosos. Há inúmeros riscos no deslocamento de plantas e animais para novos ambientes. Eles podem não sobreviver ou podem se tornar invasivos, reproduzindo-se descontroladamente na ausência de predadores e expulsando as formas de vida nativas.
Além disso, não é possível realocar todas as espécies que podem vir a precisar de uma realocação, então como decidir quem se muda e quem fica para trás, para desaparecer?
A bióloga Terry Root, da Universidade Stanford, vem tentando convencer os colegas a criar um plano de triagem para definir quem deve ser salvo do aquecimento global e quem não tem chance. "Temos de trabalhar nas que temos alguma chance de salvar", disse.
O risco de extinção deve ser balanceado com o potencial de causar danos à comunidade onde as espécies seriam realocadas, diz Camille. Ela explica esse perigo com um exemplo: "Ajudar na migração de recifes de coral seria aceitável. Mas transplantar ursos polares à Antártida, onde provavelmente causariam a extinção dos pingüins, seria inaceitável."
Segundo Chris Thomas, do Departamento de Biologia da Universidade de York, no Reino Unido, a migração assistida de uma espécie poderia ser perigosa para outra e é preciso "analisar cuidadosamente vantagens e desvantagens de cada caso.
OESP, 18/07/2008, Vida, p. A20
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