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Biocombustível é questionado

OESP, Vida, p. A24
29 de mai de 2008

Biocombustível é questionado
Encontro na Alemanha vê riscos à biodiversidade

Herton Escobar

Depois de roubar a cena nas discussões sobre produção de alimentos e mudanças climáticas, os biocombustíveis estão virando também protagonistas internacionais nos debates sobre conservação da biodiversidade. O tema foi destaque ontem na reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas em Bonn, na Alemanha. A chanceler alemã Angela Merkel disse que os biocombustíveis são bons para o clima, mas "podem ser um problema" para o meio ambiente e para a segurança alimentar, caso não sejam produzidos corretamente.

"As conseqüências para a biodiversidade precisam ser evitadas", disse Merkel, no discurso de abertura do segmento ministerial da nona Conferência das Partes (COP-9) da convenção, que termina amanhã, após duas semanas de negociações. É a primeira vez que a CDB discute oficialmente o tema, inserido este ano na agenda que trata de biodiversidade agrícola.

O objetivo é garantir que a produção de biocombustíveis seja feita de forma sustentável, sem desmatamento, sem competição com alimentos e com impactos mínimos sobre o meio ambiente. A CDB poderia abordar isso de várias formas, que vão desde uma simples declaração até uma recomendação de regras internacionais, que os países seriam obrigados a obedecer.

"Os biocombustíveis não podem ser uma parte do problema. Eles devem, ser parte da solução", disse o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Barroso. O receio é que, com o crescimento da demanda por fontes renováveis de energia, a produção de "plantas-combustível" (como cana, milho, palma e soja) avance sobre áreas de floresta ou agrícolas, competindo por espaço com a biodiversidade e a produção de alimentos. O tema rapidamente transformou-se em um dos itens mais polêmicos da conferência. ONGs mais radicais pediram uma moratória total aos biocombustíveis - com a suspensão, também, da produção do etanol de cana-de-açúcar no Brasil. O País quer evitar que bandeiras ecológicas sejam usadas para mascarar barreiras comerciais.
O repórter viajou a convite da organização da COP-9

OESP, 29/05/2008, Vida, p. A24

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