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Benetton devolve terras a indígenas

Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Ariel Palacios
10 de Nov de 2004

O empresário italiano Luciano Benetton anunciou que cederá 2.500 hectares de terras a um grupo de índios mapuche, na Patagônia. Desta forma, Benetton tenta desativar um confronto surgido há dois anos entre sua empresa e as comunidades indígenas do sul da Argentina pela posse de parte das terras onde produz 10% da lã com a qual abastece suas indústrias em todo o mundo.

O affaire Benetton versus Mapuches reativou um velho debate sobre a posse das terras no sul da Argentina. Até fins dos anos 80 essa região era praticamente ignorada pelos investidores internacionais. Mas, esse panorama mudou desde o início dos anos 90, quando descobriram-se grandes jazidas de ouro, gás e petróleo.

O empresário italiano - que é o maior latifundiário do país, onde possui 970 mil hectares, concentradas principalmente na Patagônia - alega que está interessado somente na produção de lã e na proteção das áreas ecológicas do sul da Argentina, um dos últimos recantos naturais virgens do planeta.

No entanto, segundo Mauro Millán, da Organização Mapuche-Tehuelche 11 de Outubro, o empresário italiano estaria atrás da exploração de ouro na região e que "suas verdadeiras intenções teriam pouco interesse ecológico".

Benetton afirmou que entregará as terras através da Fundação Serviço Paz e Justiça (Serpaj), comandada pelo Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel.

O Serpaj respondeu afirmando que as terras sempre foram dos índios mapuches, e que o termo correto, em vez de "doação" seria o de "devolução" ou "restituição" das terras.

O espinhoso assunto sobre propriedade de terras indígenas é um dos que Pérez Esquivel, discutirá hoje em Roma em um encontro de prêmios Nobel da Paz.

Duzentos mil índios mapuches residem na Patagônia. Deles, 94% não possuem os títulos das terras onde habitam. Com a crise econômica dos últimos anos, os indígenas começaram a abandonar as cidades da Patagônia, para onde haviam emigrado nas últimas décadas, e estão voltando à área rural, onde possuem maiores chances de sobrevivência.

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