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Benefícios da utilização de Stylosanthes spp na revegetação de solos minerados

Agrosoft Brasil
Autor: Lucas de Carvalho Ramos Silva e Rodrigo Studart Corrêa
12 de Dez de 2007

A exploração de materiais para a construção civil é a maior responsável por áreas degradadas pela mineração no Distrito Federal (DF). Nesse tipo de exploração a retirada da camada superficial do solo e a escavação deixam exposto substrato que dificulta o estabelecimento e desenvolvimento de plantas. Hoje cerca de 0,6% da área total do DF se encontra degradada pela atividade minerária, locais estes, onde a regeneração natural pode não ocorrer, ou ser extremamente lenta (Corrêa et al. 2004), sendo necessários, portanto, métodos que promovam a aceleração desse processo.

Projetos de recuperação têm priorizado a utilização de espécies arbóreas, e a preocupação com a reconstrução da fertilidade do substrato muitas vezes limita-se à adubação de covas. A recuperação efetiva depende, no entanto, da melhoria da qualidade do solo como um todo. Espécies herbáceas podem ser introduzidas com esse objetivo, criando a partir da transformação do substrato condições apropriadas ao desenvolvimento de outras plantas. Entre as espécies disponíveis, as do gênero Stylosanthes têm ocorrência natural no Cerrado, em sua maioria são perenes, apresentam potente sistema radicular, estabelecem simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, toleram bem a seca e têm grande capacidade de colonizar solos de baixa fertilidade (Silva & Zimmer, 2004).

Estes atributos somados à natividade do Stylosanthes spp o habilitaram para ser utilizado em áreas mineradas situadas dentro de Unidades de Conservação, tais como a ARIE Santuário de Vida Silvestre do Riacho Fundo. Local onde avaliamos, por meio de indicadores físicos, químicos e biológicos, a evolução da qualidade de um substrato minerado durante 24 meses, após introdução de Stylosanthes spp. A área experimental lavrada na década de 1970 tem 1,5 ha de extensão, cerca de um 1m de profundidade de corte e não apresentava, até a instalação do experimento, qualquer sinal de regeneração natural. Para a introdução do Stylosanthes (2 kg ha-¹), metade da área foi escarificada a 20cm de profundidade, adubada com 20 m³ ha-¹ de composto de lixo, complementado com adubo químico. O substrato minerado da outra metade da área não recebeu qualquer tratamento para efeito de controle, bem como, foi delimitada uma segunda área não minerada adjacente à jazida, também como controle.

Encontramos densidades de até 1,6 (pb) na área não escarificada e sem cobertura herbácea. A escarificação da superfície e a incorporação de matéria orgânica antes da semeadura não reduziram significativamente a pb do substrato. Todavia, dois anos de desenvolvimento da camada herbácea foram suficientes para reduzir os valores de pb em 25%, aproximando os valores de pb dos medidos em solos sob Cerrado. Além disso verificamos aumento da porosidade total em aproximadamente 45%, motivos pelo qual se elevou em até três vezes a taxa de infiltração, tendo a capacidade de infiltração acumulada quase duplicado, apresentando valores correspondentes a 63% da infiltração acumulada sob vegetação nativa do Cerrado.

O sucesso do desenvolvimento da cobertura herbácea pode ser visto ainda pelo grande incremento de matéria orgânica. O Stylosanthes, descontados os insumos aplicados, incorporou 7,9 Mg ha-¹ de carbono orgânico ao substrato. Outro benefício observado foi a colonização de microorganismos no solo, com valores de biomassa de carbono microbiano que passaram de 3,8 mg kg-¹ para 211 mg kg-¹. A biomassa microbiana é responsável pela fração de reciclagem rápida da matéria orgânica e, portanto, é a principal parte do compartimento lábil de muitos nutrientes a serem disponibilizados para plantas (Rice et al. 1996).

Quanto aos atributos químicos, na implantação de Stylosanthes verificou-se a necessidade de nutrientes em níveis superiores aos encontrados na jazida e, portanto, a aplicação de insumos mostrou-se necessária, o que por si so, elevou a fertilidade do substrato minerado. No entanto, após dois anos de desenvolvimento observamos alguns parâmetros como N e P, com níveis superiores a muitos solos sob vegetação nativa de Cerrado. A concentração de P disponível, por exemplo, foi elevada de 0,93 mg kg-¹ para 11,3 mg kg-¹, condição considerada ideal ao desenvolvimento de plantas (Sousa & Lobato 2004).

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