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Belo Monte não virá ''goela abaixo'', diz Lula

OESP, Economia, p. B8
23 de Jul de 2009

Belo Monte não virá ''goela abaixo'', diz Lula
Presidente falou com moradores do Xingu sobre impacto da hidrelétrica

Leonardo Goy

Já se precavendo contra as contestações que cairão sobre o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou, ontem, em reunião com representantes de movimentos sociais do Rio Xingu, que a obra "jamais será empurrada goela abaixo". O relato foi feito por d. Erwin Krautler, bispo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário, que participou da reunião.

Representantes dos moradores, contrários à construção, se reuniram por cerca de três horas com representantes do Ministério de Minas e Energia e da Eletrobrás, e por uma hora com o presidente Lula. Eles alegam que o projeto de Belo Monte afetará diversos povos indígenas que habitam a região, colonos e ribeirinhos, e causará uma explosão migratória de 200 mil pessoas à região. Para o bispo, os estudos ambientais feitos até o momento ainda não chegaram à conclusão sobre o impacto social e ambiental da obra.

O governo já admite que o cronograma do projeto deve sofrer atrasos. A estimativa mais atual é de que o leilão de concessão da hidrelétrica ocorrerá no fim de outubro, adiamento de um mês ante a previsão inicial.

Para oferecer aos investidores o direito de construir e operar a futura hidrelétrica de cerca de 11 mil megawatts (MW), o governo precisa que o Ibama entregue a licença ambiental prévia da hidrelétrica. O processo, porém, está parado há mais de um mês, por causa de uma liminar da Justiça Federal, no Pará.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também está receoso com o cronograma. Ontem, declarou que "é mais fácil subir num pau de sebo do que conseguir licença ambiental para usinas hidrelétricas". "Não tenho dúvidas de que Belo Monte passará por dificuldades. A obra da usina de Estreito (MA), que está sendo tocada hoje, já foi paralisada sete vezes", comentou.

Segundo o bispo do Xingu, Lula prometeu que fará novas reuniões e pediu para que a área energética do governo faça uma síntese do projeto, com resposta às questões levantadas pelos movimentos sociais.

OESP, 23/07/2009, Economia, p. B8

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