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Belo Monte

O Globo, Economia, p. 16
Autor: VIDOR, George
14 de Fev de 2005

Belo Monte

George Vidor

O projeto da hidrelétrica de Belo Monte está maduro e deveria ser incluído nas licitações que o governo pretende realizar este ano para escolha de investidores interessados em novas usinas. Belo Monte, em sua primeira etapa, terá potência instalada de 5.000 megawatts, mais do que a soma da capacidade das 17 usinas já listadas. Além disso, o custo é, por larga margem, o mais baixo.

Belo Monte ficará na chamada volta do Rio Xingu, junto ao trecho paraense da Transamazônica. Para a hidrelétrica ser construída, é necessário um decreto legislativo que autorize a obra, pois os canais que conduzirão a água até as casas de força (serão duas, em locais diferentes) tangenciam uma reserva indígena — que pode ser compensada, sem prejuízos para a tribo local, como ocorreu no caso de Serra da Mesa, em Goiás.

Já incluído o investimento nas linhas de transmissão, o custo estimado para a primeira fase de Belo Monte seria de R$ 19 por megawatt, enquanto nas demais a serem licitadas os valores passam de R$ 30.

A usina de Belo Monte terá condições de suprir o aumento de demanda no Nordeste, aliviando o Centro-Sul, que tem transferido energia para lá quando os reservatórios do Rio São Francisco estão mais vazios. Os impactos socioambientais da construção da usina foram mensurados e exaustivamente discutidos por quem entende, ou nada entende, da questão.

Altamira e outros 15 municípios paraenses aguardam essa obra com ansiedade, seja pelas compensações que deverão receber (as exigências para execução do projeto incluem ampliação de escolas e hospitais, construção de casas e pavimentação de ruas nas cidades próximas), seja pela absorção de mão-de-obra que hoje está subempregada na região. Se a usina for licitada este ano, em 2009 as primeiras turbinas estarão funcionando.

O Globo, 14/02/2005, Economia, p.16

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