VOLTAR

Beleza que vem do cerrado

CB, Cidades, p. 34
15 de Out de 2006

Beleza que vem do cerrado
Estudantes da Universidade de Brasília promovem oficina para ensinar a comunidade a transformar frutos e plantas da região em cosméticos.É possível fazer xampu, sabonetes e hidratantes com as espécies nativas

Carolina Caraballo
Da equipe do Correio

Dos galhos retorcidos do cerrado brotam hidratantes, xampus, sabonetes... Os produtos de beleza estão escondidos em plantas que são velhas conhecidas dos moradores do Distrito Federal. O pequi rende xampu rico em vitamina A, ideal para hidratar o cabelo. O fruto do buriti é indicado para fazer cremes hidratantes, devido à grande concentração de óleo. Na tentativa de tornar a cosmética do cerrado mais popular, quatro estudantes da Universidade de Brasília (UnB) organizam nesta quarta-feira, dia 18, uma oficina sobre produtos de beleza fabricados com plantas do cerrado.
O quarteto, formado por alunos do Departamento de Engenharia Florestal, vai concentrar as aulas na produção de dois cosméticos-o xampu de pequi e o sabonete feito com barbatimão, planta com propriedades cicatrizantes. "O tempo é curto e essa é a primeira vez que realizamos uma oficina. Achamos melhor não arriscar", explica Keila Lima Sanches, 21 anos.
"Queremos apenas mostrar que é fácil produzir cosméticos aproveitando plantas que estão próximas da gente", completa a estudante do 8o semestre.
A coleta de plantas do cerrado requer um conhecimento básico.
Quem participar da oficina vai aprender a tirar o óleo do fruto do pequi e retirar pedaços da casca do barbatimão. Cosméticos produzidos com espécies como arnica e assa-peixe - ambas com propriedades anti-sépticas, indicadas para fazer sabonete-são ainda mais simples, por serem fabricados com a folha das plantas.
"Algumas feiras do DF vendem as folhas já secas. Também é fácil encontrar no comércio o óleo puro de pequi", observa Keila.
A parte mais complicada das receitas, segundo Desireé da Silva, 21 anos, seria fabricar a base da fórmula do xampu, do hidratante e do sabonete. O grupo, no entanto, opta por usar o material pronto, vendido em casas de produtos para artesanato. "A qualidade não varia e o custo é baixo", garante a estudante do 6o semestre de Engenharia Florestal. "O diferencial do produto fica por conta das propriedades de cada planta."
Variedade
As inscrições para a oficina estão encerradas-30 pessoas se interessaram pelas 10 vagas que serão oferecidas durante a VI Semana de Extensão da UnB. Mas o grupo de estudantes ficou animado com a procura. Aluna do mestrado de Ciências Florestais, Fabíola Latino, 23, revela que a equipe vai organizar novos cursos em breve. "Ainda não temos uma data definida. Mas pensamos em ministrar uma oficina de uma semana para ensinar o público a produzir uma variedade maior de cosméticos."
De acordo com Shilbert Gomes Vilela, 21, a variedade de cosméticos que podem ser produzidos com plantas do cerrado é grande (leia quadro). "O pessoal olha para o cerrado e só vê um monte de árvores tortas. Em contra partida, voltam todas as atenções para a Amazônia", aponta. "O que muitos não sabem é que o cerrado oferece uma variedade de plantas úteis tão grande quanto a Amazônia."
Ensinar o público leigo a produzir cosméticos, no entanto, não é a única preocupação do quarteto. "Também queremos mostrar que é importante usar as plantas do cerrado com responsabilidade", comentou Shilbert. "Não adianta retirar todos os frutos do pequi para fazer xampu e impedir que novas mudas da árvore cresçam." Ele ressalta que espécies como barbatimão e arnica estão em processo de extinção pelo uso indiscriminado.
"Assim como o barbatimão, as pessoas usam a arnica para produzir sabonete. Dizem que é bom para todo tipo de problema, desde torções até alívio de hematomas", conta Shilbert.
"Eles retiram os arbustos por inteiro, não deixam nem a raiz, usada para fazer garrafadas que prometem curar de tudo. Não há preocupação em preservar a espécie", protesta o estudante.

CB, 15/10/2006, Cidades, p. 34

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.