VOLTAR

BB adotará critério socioambiental

GM, Finanças & Mercados, p. B1
01 de Jun de 2004

BB adotará critério socioambiental

Maior banco do País quer adequar atuação aos "Princípios do Equador" criados pelo IFC. O Banco do Brasil pretende colocar em operação, até o final de 2005, um sistema de "rating" para classificar suas operações de crédito segundo critérios mínimos ambientais e de responsabilidade social. As notas devem variar de A a C, de acordo com os chamados "Princípios do Equador", criados pelo International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial.
Por esse sistema, os empréstimos classificados com notas A e B são considerados de alto e médio riscos, respectivamente. Nesses casos, os bancos são obrigados a fazer um relatório ambiental propondo mudanças nos projetos para reduzir os riscos à comunidade em que estão sendo implantados.
Os chamados "Princípios do Equador" ganharam força a partir do meio do ano passado, quando receberam a adesão de um conjunto de dez bancos estrangeiros que financiam cerca de 30% do total de projetos de investimento em todo o mundo. São classificadas as operações a partir de US$ 50 milhões. As operações são classificadas de acordo com um conjunto de regras definidas pelo IFC, e o trabalho de avaliação deve ser feito por analistas treinados nos próprios bancos. Hoje, a lista é composta de 23 bancos internacionais, mas até agora no Brasil não houve a adesão formal de nenhuma instituição de capital nacional.
O crédito concedido pelo BB já segue as regras ambientais definidas pela legislação brasileira. Não são liberados recursos, por exemplo, para projetos que não receberam as licenças ambientais. Também foi adotado como procedimento padrão negar crédito para empresas comprovadamente envolvidas com trabalho escravo.
Mas a avaliação da diretoria do BB é que, daqui para diante, essas iniciativas não serão mais suficientes para atender às demandas da sociedade - que cobrará cada vez mais uma atitude ativa do sistema financeiro sobre o assunto.
Para o banco, a adoção de princípios rígidos não significará perda de negócios. "Não se trata de negar crédito a determinados projetos", afirma o vice-presidente em exercício de crédito da instituição, Renato Donatello Ribeiro.
"O objetivo é aperfeiçoar os projetos de forma a torná-los compatíveis com os princípios ambientais e sociais." Um trabalho importante para medir e reduzir os riscos ambientais já está sendo feito pelo BB num programa chamado de Desenvolvimento Regional Sustentado. Esse é um esforço de mapeamento que identifica as cadeias produtivas nas regiões mais pobres do País que podem receber o apoio do banco. Cada uma delas é classificada dentro de uma escala de "rating" que leva em consideração, entre outros, os aspectos ambientais das atividades econômicas. Até fins de 2005, o banco espera ter concluído o mapeamento de 1.882 municípios. Esse levantamento de cadeias produtivas também irá auxiliar a criação do "rating" previsto dentro dos "Princípios do Equador".
Além de ganhos de imagem, o BB espera ampliar mercado com a iniciativa. "Ao dirigir o crédito para atividades econômicas sustentáveis, estamos ampliando nossas operações e criando um mercado mais sólido", afirma o vice-presidente de responsabilidade socioambiental do BB, Luiz Oswaldo Sant'lago Moreira de Souza.
Convênio
Hoje, o BB irá assinar um protocolo com o Ministério do Meio Ambiente para o desenvolvimento de uma Agenda 21 Empresarial. A idéia é que o banco sirva de exemplo para estimular empresas privadas a adotarem praticas de desenvolvimento sustentável.
Uma das conseqüências práticas desse convênio é que o BB irá realizar um pente-fino em todas as suas atividades e produtos para checar se elas seguem a carta de 14 princípios socioambientais aprovada pela diretoria do banco. "Os produtos que não estiverem de acordo devem ser modificados ou até eliminados, quando for o caso", diz Antônio Sérgio Riede, diretor de responsabilidade socioambiental do BB.

GM, 01/06/2004, Finanças & Mercados, p. B1

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.