O Globo, Rio, p. 15
19 de Jul de 2015
A batalha contra o coral-sol
Renan França
RIO - Imagine mergulhar em pontos da Baía da Ilha Grande, considerada um dos berços das espécies marítimas do país, e não ver peixes nem tartarugas. E, em seguida, notar que as cores do fundo do mar estão diferentes: a multiplicidade deu lugar ao tom bicolor. A notícia triste é que esse cenário existe. Trata-se de uma das piores bioinvasões que o Rio já sofreu, e está colocando em xeque a diversidade marítima do estado. O nome popular do invasor é coral-sol, originário do Oceano Pacífico. Tubastrea tagusensis é a espécie mais amarela; a laranja é conhecida como Tubastrea coccinea. As duas, atuando em conjunto, são responsáveis pela dor de cabeça que biólogos marinhos sentem nos últimos anos. O contra-ataque mais efetivo, porém, surgiu ano passado. Um grupo de pesquisadores, liderado por profissionais da Uerj, vem estudando formas de combater o coral, que já se espalhou por 50% do litoral da Ilha Grande.
- A rede científica que criamos conecta mais de 27 pesquisadores, de 13 instituições acadêmicas. A troca de experiências tem permitido que o impacto causado por esse invasor seja menor. Formamos a maior rede de pesquisa sobre bioinvasão do Brasil - diz Joel Creed, coordenador do Projeto Coral-Sol. - Nosso objetivo, agora, é erradicar o coral-sol nos locais onde é encontrado em pequenas quantidades, e controlá-lo em áreas nas quais o alastramento está em um estágio bem avançado.
De acordo com o pesquisador, desde o início do trabalho, mais de 200 mil colônias foram retiradas da baía. Uma das frentes mais importantes é o monitoramento marinho feito por vídeos, fotos e apuração visual.
O primeiro registro de invasão do coral-sol foi feito na década de 1940, no Caribe. Vinte anos depois, deslocou-se para o Golfo do México. No Brasil, chegou nos anos 1980, trazido acidentalmente pelas plataformas de petróleo e gás, encomendadas por empresas que se instalaram na região. O marco zero da infestação teria ocorrido na Enseada do Bananal, na Baía da Ilha Grande.
Em 2012, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil público que identificou locais da costa de Angra já contaminados: os terminais da Petrobras e da Brasfels.
- O inquérito vai virar ação até o fim do ano. As empresas serão multadas, e cada uma delas terá que se comprometer com algum projeto para controlar a quantidade de coral-sol no litoral do Rio - diz a procuradora federal Monique Cheker.
A Petrobras informou que patrocinou o Projeto Coral-Sol entre 2010 e 2012, quando o contrato se encerrou. Procurada, a Brasfels nada comentou.
O Globo, 19/07/2015, Rio, p. 15
http://oglobo.globo.com/rio/pesquisadores-travam-batalha-contra-coral-s…
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