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Barragem rompe e cobre de lama cidade de Minas

OESP, Metrópole, p. C6
11 de Jan de 2007

Barragem rompe e cobre de lama cidade de Minas
Governo do Estado fecha empresa; episódio provoca crise com o Rio, onde 100 mil podem ficar sem água

Eduardo Kattah e Raquel Massote

O rompimento de uma barragem de contenção de rejeitos da Mineradora Rio Pomba Cataguases, em Miraí, em Minas, na madrugada de ontem, provocou o vazamento de pelo menos 2 bilhões de litros de lama no Córrego de Bom Jardim, que deságua no Ribeirão Fubá, deixando 4 mil moradores desalojados. A mancha atingiu o Rio Muriaé, que abastece cidades do noroeste do Rio. Cem mil habitantes de cinco municípios fluminenses podem ficar sem água. O acidente provocou um bate-boca entre autoridades do governo de Minas e do Rio. A empresa foi interditada ontem.

A barragem teria se rompido em razão das fortes chuvas, segundo a mineradora. Após o acidente, centenas de construções ficaram alagadas em Miraí.Técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) analisaram a lama derramada e concluíram que ela não contém material tóxico,mas argila e água.

Após um temporal de cinco horas, uma grande mancha de lama desceu o leito do Ribeirão Fubá e atingiu principalmente a parte baixa de Miraí. As propriedades rurais foram as primeiras a serem atingidas. Plantações e pastagens ficaram encobertas. Na área urbana, casas, comércio e carros ficaram cobertos de lama, que atingiu 1,5 metro de altura. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) informou que pelo menos cem pessoas estavam desabrigadas no município.

No dia 1o de março do ano passado, o rompimento de uma das placas da mesma barragem provocou um acidente ambiental de grandes proporções, com o despejo de cerca de 400 milhões de litros de lama no córrego Bom Jardim, Ribeirão Fubá e o Rio Muriaé.

Com o novo acidente, o governo de Minas decidiu interditar em definitivo a mineradora, que extrai bauxita na região, matéria-prima utilizada na fabricação de alumínio. 'Estamos diante de uma reincidência', disse o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas, José Carlos de Carvalho. Ele disse que não será permitida a reconstrução da barragem nem concedida nova licença ambiental. A mineradora será multada em até R$ 50 milhões. Carvalho admitiu que o acidente deverá comprometer o abastecimento de cidades do norte fluminense que captam água para abastecimento público.

BATE-BOCA

O governador em exercício de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), telefonou pela manhã para o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). Apesar da providência, o rompimento da barragem voltou a gerar bate-boca entre autoridades dos dois Estados.

O secretário de Meio Ambiente de Minas classificou como 'absolutamente extemporâneas' e 'despropositadas' as críticas ao governo mineiro feitas por dirigentes da companhia de saneamento do Rio. 'Diante do problema que estou enfrentando, não vale a pena sequer polemizar com as autoridades do Rio', disse Carvalho.

'É inaceitável. Estou indignado. Mais uma vez temos um acidente em Minas com impacto ambiental no Rio. É lamentável que isso volte a acontecer. Foi um ato criminoso. A empresa já deveria estar fechada e seus dirigentes, presos', disse o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), Wagner Victer. Ele afirmou que pode ter havido omissão do governo de Minas na fiscalização. Cabral foi mais diplomático: 'Já montamos um gabinete de emergência e falei com o governador Aécio Neves (PSDB). As coisas serão feitas em parceria.'
Colaborou Felipe Werneck

São Paulo tem 22 pontes destruídas e 2,5 mil km de estradas intransitáveis

José Maria Tomazela

As prefeituras dos 67 municípios atingidos pelas chuvas em São Paulo começaram ontem a avaliar os prejuízos. Pelo menos 22 pontes caíram com as enchentes e cerca de 2,5 mil quilômetros de estradas rurais estão intransitáveis.

Em Itapetininga, as áreas ribeirinhas e de várzeas continuavam sob as águas do Rio Itapetininga. Mais três prefeituras, Pirapozinho, Presidente Bernardes e Adamantina, decretaram situação de emergência. A prefeitura de Presidente Prudente também pediu ajuda para refazer o sistema de captação de água, afetado pelas chuvas.

Subiu para 12 o número de municípios que protocolaram pedido para decretação de estado de emergência na Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. O prazo para os técnicos concederem o pedido é de cinco dias e só depois os municípios poderão receber recursos.

Segundo a avaliação da Defesa Civil, os danos das chuvas só não foram maiores em razão do plano preventivo colocado em ação desde o início da Operação Verão, dia 1o de dezembro.

O monitoramento dos índices pluviométricos e a antecipação das informações meteorológicas permitiram que muitas famílias fossem retiradas de casas em áreas de risco. Em Paraguaçu Paulista e Maracaí, no oeste do Estado, as prefeituras e órgãos da Defesa Civil conseguiram remover cerca de 10 mil moradores antes do rompimento da barragem da Represa Grande, um lago com 164 hectares. A retirada começou assim que foram detectados sinais de que a barragem não suportaria o volume de água. A inundação atingiu as casas vazias.

Número de desalojados dobra e chega a 1.203 em Nova Friburgo

Bruno Lousada e Clarissa Thomé

Dobrou o número de desalojados em Nova Friburgo (RJ). Eram 585 antes da madrugada de ontem, quando mais uma chuva atingiu a região, e agora são 1.203. Os dados foram atualizados pela Defesa Civil Municipal. Segundo o coordenador de Defesa Civil de Friburgo, coronel Sérgio Marrafa, entre as 17 horas de terça-feira e o mesmo horário de ontem houve um deslizamento por hora, desta vez sem vítimas. Desde o início das chuvas, 11 pessoas morreram na cidade. No Estado, já são 31 mortos, 7.242 desabrigados e 5.343 desalojados.

Em São Fidélis, uma enxurrada no Valão Catarina, que corta a cidade, provocou inundação em bairros como Macaúba, São Vicente, Matadouro e centro.

A reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) se reuniu com a prefeita de Friburgo, Saudade Braga, para pedir a liberação do acesso ao campus que foi destruído.

Em Campos, onde há 7 mil desabrigados, o nível do Rio Paraíba desceu, mas ainda há bairros inundados.

OESP, 11/01/2007, Metrópole, p. C6

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