Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: Anderson Pinho
18 de Mai de 2004
As 11 pessoas presas pela Polícia Federal na sexta-feira durante a "Operação Pindorama" tinham conexão com traficantes dos Estados Unidos, Alemanha e República Tcheca, que compõem uma organização criminosa no ramo de tráfico de animais silvestres e souvenirs confeccionados a partir de partes dos animais. A informação foi prestada ontem de manhã pelo delegado Jorge Barbosa Pontes, titular da Divisão de Repressão aos Crimes Contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico, durante entrevista coletiva, em Brasília.
Nove dos presos são servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e dois são comerciantes no Amapá, Rondônia, Pará, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e Mato Grosso. Segundo assessoria de imprensa do Departamento de Polícia Federal (DPF), o delegado está ouvindo todos eles, sendo quatro de Mato Grosso: Noel Rachid Silva, comerciante em São Félix do Araguaia; e os funcionários da Administração Regional do órgão, Lígia Neiva, casada com o índio Humberto Zoró, e Antônia de Souza Oliveira, lotadas em Vilhena e Ji-Paraná (RO), respectivamente, e Francisco das Chagas Cavalcante, chefe do posto fiscal dos índios Rikbaktsa.
O delegado anunciou que poderá pedir prorrogação da prisão temporária e/ou conversão em prisão provisória. "A venda dos produtos do artesanato indígena para o exterior caracteriza-se em contrabando pois se trata de comércio ilegal de partes de animais silvestres da fauna brasileira", disse.
Segundo ele, o foco das investigações não é para os índios, e sim para as pessoas que exploravam esses índios, embora haja líderes indígenas que tiveram dinheiro depositado em suas contas pessoais.
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