OESP, Economia e Negócios, p. B16
13 de Fev de 2008
Bancos deixam a desejar em sustentabilidade, diz Idec
Segundo o órgão, discurso de responsabilidade social está longe da prática
Andrea Vialli
Os grandes bancos que operam no Brasil ainda deixam a desejar quando o assunto é sustentabilidade, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). No estudo, que será divulgado hoje, a entidade analisou o comportamento dos bancos em relação a trabalho, consumidores e meio ambiente.
O foco nas instituições financeiras foi dado no momento em que os bancos se esforçam em atrelar sua imagem à sustentabilidade. Na prática, porém, o estudo mostra que, em uma escala de 1 a 5 pontos, nenhuma das instituições chegou a 3 pontos, e a média do setor ficou em torno de 2 pontos. Os melhores desempenhos foram do ABN Amro Real (2,75) e Bradesco (2,60), seguidos do Itaú, com nota 2,41 (ver tabela).
Foram pesquisados os oito maiores bancos em número de clientes pessoa física: Bradesco, Itaú, ABN Amro Real, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Unibanco, HSBC e Santander, entre junho e novembro de 2007. O Idec analisou os questionários respondidos pelas próprias instituições.
"Os bancos hoje possuem um discurso forte de responsabilidade social, mas que ainda não se incorporou definitivamente às ações cotidianas", afirma Marilena Lazzarini, coordenadora-executiva do Idec. No item relações com consumidores, por exemplo, os bancos tiveram as notas mais baixas: Itaú, HSBC, Unibanco e Santander tiveram 1,33 (péssimo) e ABN, Bradesco, Banco do Brasil e CEF ficaram com 2 (ruim).
Segundo os técnicos do Idec, os bancos pecam ao não fornecer informações claras ao consumidor sobre suas políticas de reajuste de tarifas. Os canais de comunicação com os clientes também foram colocados na berlinda. "Todos os bancos possuem esses canais, que nem sempre funcionam a contento quando o consumidor precisa registrar uma reclamação ou necessita de um serviço mais específico, como a solicitação de extratos antigos", diz Marcos Pó, técnico do Idec que coordenou o estudo.
Nas relações com os trabalhadores, a melhor nota obtida foi do Itaú (3,25), e a pior ficou com o Unibanco (1,75). Liberdade sindical e pagamento de benefícios além do que estipula a lei, bem como ações de inclusão (contratação de mulheres, negros e deficientes) foram alguns dos aspectos analisados.
No quesito meio ambiente, as notas das instituições tiveram a maior variação. O Santander foi o banco com pior pontuação (1), seguido do Unibanco e Caixa Econômica Federal (1,5). As melhores pontuações foram do ABN Amro Real (3,5) e Bradesco e Itaú (3). Foram analisadas desde as políticas ambientais internas (redução no consumo de água e energia; reciclagem), até a adoção de critérios ambientais ao conceder crédito.
RECLAMAÇÃO
O Unibanco, que ao lado do Santander ficou na última posição na avaliação do Idec, com nota 1,51, discorda dos resultados. "Por uma série de posturas do Unibanco, achamos que a posição no ranking é injusta e questionável", diz Valerie Cadier Adem, superintendente de sustentabilidade do Unibanco. Segundo ela, itens importantes não foram considerados , como as políticas de diversidade do banco, que tem 59% de mulheres no quadro funcional.
Isabela Lemos, diretora de relações com funcionários do Banco do Brasil, avaliou o estudo como positivo, mas ressalta que algumas políticas do BB receberam pontuação abaixo do esperado. "Temos dez produtos com enfoque socioambiental, como linhas de crédito específicas para reflorestamento e agricultura orgânica que não foram pontuados", diz.
Jean Leroy, diretor do departamento de relações com mercado do Bradesco, diz que o estudo mostra um processo de melhoria contínua. "Estamos evoluindo", diz. Para Hélio Duarte, diretor-executivo de relações institucionais do HSBC, a avaliação é justa. "As notas nos frustraram, mas sustentabilidade é um assunto muito novo para as empresas e é natural que a avaliação tenha sido rígida. Vamos usar isso como um incentivo." Procurados, os demais bancos preferiram não se manifestar. A íntegra do estudo está no site www.idec.org.br.
OESP, 13/03/3008, Economia e Negócios, p. B16
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