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Balsa pára e lago enche mais rápido

Jornal do Tocantins-Palmas-TO
Autor: Neuracy Viana e Diógenes Botelho
18 de Nov de 2001

A primeira das muitas transformações que o lago da usina do Lajeado vai causar no cotidiano dos moradores das cidades vizinhas a ele, como Palmas, Paraíso, Porto Nacional e Miracema, começa a ser sentida no próximo dia 9 dezembro. Nesta data o balsa que faz a travessia entre a Capital e Paraíso vai deixar de funcionar e o rio Tocantins estará subindo quase meio metro por dia, até sair de sua calha normal e formar o lago que será necessário para a geração de 902 megawatts de energia. Essa mudança, atingirá mais de 900 veículos que fazem a travessia, em média, diariamente. Até então, as mudanças do lago vinham sendo sentidas com mais intensidade pelas pessoas que trabalhavam, moravam ou tinham propriedades a beira do rio. Tempo e dinheiro. Esses dois artigos preciosos nos dias de hoje vão ser penalizados entre os dias 9 e 31 de dezembro deste ano, quando a balsa que liga Palmas a Paraíso será interrompida. A ligação entre as duas cidade, um trecho de 63,1 quilômetros, feito normalmente em 1h15, poderá chegar a quase 2h30 e será onerado em mais de 80 quilômetros. Saindo de Paraíso para se chegar até a Capital existirão duas alternativas. Via Miracema, atravessando a balsa de Lajeado, somando uma distância de cerca de 148 quilômetros feitos em 2h30, dependendo no tráfego na BR-153; ou via Porto Nacional, numa viagem um pouco mais rápida, mas com 160 quilômetros.E não é só o tempo, a viagem também pesará no bolsa. Normalmente um veículo de passeio econômico, que faz dez quilômetros com um litro de gasolina, gastaria aproximadamente R$ 13 reais para fazer a viagem entre Palmas a Paraíso. Com a passagem da balsa, que custa atualmente R$ 4,50, o custo do percurso subiria para R$ 17,50. A mesma viagem, feita agora via Miracema, poderá custar um total de R$ 33,80, sendo R$ 29,30 de combustível e R$ 4,50 de balsa. Se o motorista optar por fazer o percurso por Porto Nacional não vai pagar balsa, mas terá que desembolsar R$ 31,60. MedidasA medida de paralisação da balsa se deve a falta de condições de tráfego fluvial no local no período de enchimento do lago, quando o rio estará enchendo quase meio metro por dia. Com isso, ocorrerá o perigo de toras boiarem no meio do rio, além da formação de algumas ilhas. O atracamento da balsa também ficaria prejudicado. "Como o rio subiria muito rápido, teríamos que construir praticamente um porto diferente por dia", explica Heleno Costa, coordenador de meio ambiente da Investco. Tudo então, segundo a empresa responsável pela construção da usina do Lajeado, está sendo planejado para evitar acidentes na travessia.Enquanto as atividades da balsa estiverem suspensas, a travessia, somente de pessoas, de uma margem à outra do rio Tocantins será feita por barcaças para 60 pessoas. Em compensação, o coordenador de Meio Ambiente da Investco comenta que o tempo de travessia será menor e com muito mais segurança. Ele afirma que essa medida foi tomada pensando no usuário, que durante esse período poderá utilizar barcos para atravessar de uma margem à outra do rio.Esse é um dos motivo para que o proprietário da Tocantinense, Osvaldo Conti, que atua à frente da empresa que faz a linha Palmas-Paraíso há anos, não se ache prejudicado. Ele diz que vai colocar ônibus nas duas margens do rio para não prejudicar seus passageiros. "Na minha opinião a travessia ficará até mais ágil, já que no lugar da balsa existirão as barcaças". Para a empresa, realmente é um bom negócio. Ela não terá que pagar a balsa. Já os passageiros, ficarão a mercê das chuvas.Mesmo ainda não tendo sido comunicado oficialmente pela Investco sobre a suspensão dos serviços da balsa, o tenente da Capitania Fluvial Araguaia-Tocantins, Roseno Alves de Alcântara, diz que durante esse período a corporação vai estar fazendo a fiscalização de barqueiros no sentido de dar maior segurança à população. ReclamaçõesEntre os usuários que já estão se sentindo prejudicados com a mudança está o comerciante Caio Cesar Cordeiro, que trabalha com caminhões de carga e utiliza a balsa constantemente. Ele diz que essa suspensão dos serviços vai alterar toda a sua rotina, pois terá mais tempo e despesa para ir até Paraíso.Outro que reclama é o funcionário público Elias Miranda. Ele mora em Paraíso e costuma visitar a namorada, que mora em Paraíso, constantemente. "Acho que eles já deviam estar explicando isso há mais tempo. Já não bastasse a demora que a balsa já proporcionava, agora vou ter que dar um balão enorme. O jeito é namorar menos",reclama, com bom humor.Para explicar a população sobre essa necessidade de mudança, a partir de amanhã, com a realização de um workshop, a Investco vai iniciar uma série de campanhas educativas através de placas e da mídia para informar a população sobre as mudanças que ocorrerão durante esse período de enchimento do lago. Os motoristas que trafegarem pela BR-153 também serão informados, através de placas na rodovia, sobre a alteração do trajeto para se chegar até Palmas.

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