CB, Brasil, p. 17
22 de Jul de 2004
Baleias estão desprotegidas no Atlântico Sul
Ullisses Campbell
Da equipe do Correio
Pela quarta vez, a proposta brasileira de criar um santuário no Atlântico Sul para proteger 12 espécies de baleias que nadam na costa do país não saiu do papel. A Comissão Internacional da Baleia (CIB), que encerrou a 56ªplenária nesta quarta-feira, em Sorrento, Itália, adiou a votação para o ano que vem.
A proposta brasileira foi retirada da pauta graças a uma articulação feita pelo governo japonês, que defende a caça comercial desses cetáceos. A vitória dos nipônicos foi conseguida graças ao apoio de países pequenos como Tuvalu, Ilhas Salomão e Costa do Marfim, que foram convencidos a também pedir o adiamento da votação. Os japoneses pescam cerca de 500 baleias minks por ano para fabricação de cosméticos e comercialização de carnes em restaurantes finos.
A articulação dos japoneses foi denunciada formalmente na comissão. Segundo a delegação de 13 países, incluindo a do Brasil, os pequenos países venderam seus votos para o Japão. Na denúncia, eles citam como exemplo Tuvalu, um país de 12 mil habitantes no Pacífico Sul, que não captura baleias e também votou a favor da retirada da proposta da pauta.
A proposta do Brasil teve maioria de votos (26 a favor e 22 contra). Mas é necessária a maioria de três quartos para a aprovação. ''Ainda assim, o Brasil deve comemorar o resultado. Nosso direito de manter os baleeiros japoneses longe do Atlântico Sul está sendo cada vez mais reconhecido'', ressaltou o vice-comissário brasileiro na CIB e coordenador do Projeto Baleia Franca, José Truda Palazzo Júnior.
O Japão, porém, sofreu uma derrota na CIB. Não foi aprovada a liberação da pesca das grandes baleias, que vem sendo proposta há três anos por um bloco de países liderados pelos japoneses. Quem defende a caça comercial desses animais, que são os maiores existentes na Terra, pede o fim do santuário da Artártida, criado há dez anos para proteção de 15 espécies. Os japoneses, juntamente com a Nova Zelândia e Austrália, pedem a liberação da pesca de baleias em todos os oceanos.
A rejeição da proposta brasileira coincidiu com o início da migração das baleias jubartes do Oceano Antártico para a costa brasileira. O Projeto Baleia Jubarte, organização não-governamental que luta pela preservação da espécie, começou este mês seu trabalho de observação anual da circulação dos cetáceos pelo litoral baiano. Entre julho e novembro, centenas de jubartes migram da Antártida para as águas quentes do Arquipélago de Abrolhos, onde acasalam.
CB, 22/07/2004, Brasil, p. 17
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