VOLTAR

Baleia-franca some do litoral paulista

OESP, Metrópole, p.A31
09 de Jun de 2013

Baleia-franca some do litoral paulista
Pesquisadores investigam se aumento de embarcações pode ter espantado animal das praias do Estado e de toda a Região Sudeste

Giovana Girardi

Com o início do inverno, começa também a temporada de visitação das baleias-francas austrais (Eubalaena australis) ao litoral do Sul e do Sudeste do País. Elas deixam a fria região antártica em busca de águas mais quentes para se reproduzir e dar à luz, mas o nascimento dos filhotes já não tem acontecido em um clima tão calmo quanto os cetáceos provavelmente esperavam encontrar. A cada ano, em especial na costa de São Paulo e do Rio, menos animais têm sido vistos.
A conclusão é de um levantamento feito por pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da USP com base em registros de observação de exemplares da franca desde 2000 no litoral dos dois Estados.
A descoberta chamou a atenção dos pesquisadores porque a situação da baleia-franca austral vem lentamente melhorando. Ainda considerada em perigo de extinção pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas do Brasil, depois de o número de indivíduos ter despencado na primeira metade do século 20 com a caça, a população está aos poucos crescendo.
Pelas estimativas, há cerca de 7 mil indivíduos navegando no Atlântico Sul. E em Santa Catarina, Estado que recebe o maior número de visitas das francas no País, ano a ano parece estar aumentando o número de indivíduos que passa por ali. Tradicionalmente, muitos deles continuavam subindo pela costa brasileira, até chegar ao Rio. O que não tem se notado mais.
Investigando jornais, o YouTube e as redes sociais, o grupo percebeu que o número de registros de observação das francas caiu 36,5% no Rio e 26,6% em São Paulo nessa década, em comparação com levantamento semelhante de 1999. "Como a visita de baleias não é muito frequente, sempre que aparece alguém vai ver e contar, ainda mais com os celulares e a redes sociais. Então dá para confiar que elas têm aparecido menos", afirma Giovanna Figueiredo, aluna do IO que fez o trabalho.
"O que precisamos saber agora é se as baleias simplesmente estão deixando de vir para cá ou se estão mudando seus hábitos e preferindo o alto mar", afirma o biólogo Marcos Santos, pesquisador do IO que, com alunos, está iniciando uma campanha pelo litoral paulista a fim de monitorar o paradeiro das baleias e ajudar a protegê-las.
Ele explica que a franca gosta das enseadas e baías da costa sul e sudeste brasileira para poder descansar e amamentar. É aqui também que elas se reproduzem e voltam 12 meses depois para o filhote nascer.
O grupo suspeita que o aumento nos últimos anos do fluxo de embarcações, aliado à degradação costeira, pode ser o motivo para o sumiço das baleias em São Paulo e no Rio.
"A franca tem total domínio de onde visita e prefere ficar logo após a zona de arrebentação, o que faz as pessoas acreditarem que ela está encalhando. Aí começa o escarcéu. Um monte de barco acelerando para tentar espantá-las. O que pode acabar machucando não só o bicho como também as pessoas."

Espécie-irmã está quase em extinção nos EUA

Uma situação parecida aconteceu nos Estados Unidos e quase levou ao desaparecimento da baleia-franca do Atlântico Norte (Eubalaena glacialis). Lá, depois da redução dos estoques por causa da caça, a espécie foi afetada pela navegação e hoje restam cerca de 300 indivíduos.
Estudos realizados na costa nordeste de 1986 a 2005 mostraram que 38% das mortes de francas foram por colisões com embarcações e 12% por emaranhamento em redes de pesca - 75% dos indivíduos tinham marcas de rede no corpo.
Além disso, descobriu-se que o aumento da poluição sonora interfere na comunicação das baleias e pode estar relacionado ao estresse nos animais e à troca de habitat. De acordo com Marcos Santos, da USP, lá se notou que as baleias se afastaram 80 quilômetros da costa, situação que ele imagina que pode estar ocorrendo aqui também.
Para descobrir isso, ele está iniciando um trabalho de busca às baleias. Parte do trabalho deve ser feito em parceria com uma rede de embarcações de passeio e de pescadores, a fim de que eles fotografem e relatem os animais que venham a avistar em alto mar. Outra parte é espalhar hidrofones em pontos do litoral para pode identificar, mesmo a distância, se as baleias estão passando.
Além disso, diz Santos, deveria haver um trabalho governamental para incorporar a presença da baleia ao crescimento econômico da região. "Elas estão lá, fazem parte do cenário. Nos EUA houve várias ações para evitar as colisões. Aqui também pode ter." / G.G.

OESP, 09/06/2013, Metrópole, p.A31

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,baleia-franca-some-do-litor…

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,especie-irma-esta-quase-em-…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.